quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Participação especial: "Convencendo anjos" de Álvaro Loro


Ele tinha quarenta anos, saía de casa para trabalhar. O anjo chegou, confirmou a sua identidade e comunicou que sua hora havia chegado, seu tempo havia acabado, ele morreria ali, na hora. Indignação: absurdo, ele era muito novo, não tinha recebido nenhum sinal, nenhum aviso, o que é isso?

O anjo explicou que não era pessoal, só estava fazendo o seu trabalho, mas se ele tivesse três bons motivos para continuar na terra que os comunicasse e seriam avaliados e, se relevantes, ele poderia ficar. Ah, disse o anjo, não vale dizer que seus filhos estão pequenos, que precisam de você, você os matriculou numa escola cara – todas são – e delegou a sua educação; não vale dizer que sua esposa não está preparada para tocar os negócios: desde sempre ela demonstrou interesse e nunca foi ouvida... Depois de muito pensar e gaguejar ele não conseguiu reunir três bons motivos para continuar vivo.

A historinha acima é contada por Lya Luft num de seus livros e nos remete para a importância de se ter objetivos.

Ter objetivos é essencial: eles indicam o norte, nos dão um rumo, nos dão senso de prioridade, motivos para levantar da cama. Quando não temos objetivos envelhecemos, nos acomodamos, gastamos munição atirando em muitos alvos, andamos em círculos e depois ficamos com a sensação de cansaço improdutivo... Somos movidos a desafios, precisamos de motivos para fazer as coisas. Os objetivos – que devem ser assim, objetivos: bem claros, específicos, com data para serem cumpridos – nos dão foco, nos mostram onde nossa energia deve ser alocada.

Neste início de ano, uma época tão boa como qualquer outra para se tomar decisões, devemos nos perguntar: quais são meus objetivos? Em que tipo de pessoa eu quero me transformar? Em que tipo de sociedade eu quero estar vivendo, em que relações desejo estar envolvido? Quais habilidades eu quero acrescentar às que já tenho? O que daria brilho aos meus olhos ao ser conquistado, dando-me a certeza de que aproveitei bem o tempo que me foi concedido?

Não devemos, no entanto, nos tornar obsessivos, chatos que só pensam, falam e respiram um mesmo assunto. Enquanto caminhamos em direção aos objetivos, apreciamos a caminhada. John Lennon já dizia que vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outras coisas.

Um objetivo leva a outro. À medida que conquistamos nossas metas, reforçamos nossa autoconfiança, desenvolvemos disciplina, nos permitimos voos mais altos. Até objetivos não alcançados ajudam: servem para que avaliemos onde erramos, permitem que nos conheçamos melhor.

Aí, quando o anjo nos visitar, teremos um punhado de bons motivos para que ele nos deixe por aqui.

Autoria do texto: Álvaro Jorge Loro

2 comentários:

  1. Em meados de dezembro de 2011 eu estava na formatura da minha irmã do curso "Jovem Aprendiz" (um programa criado pelo governo que incentiva as empresas a darem cursos de iniciação profissional para os filhos dos empregados, recebendo em troca a isenção de certos impostos), estava bastante feliz por ela, mas o que era para ser uma cerimônia bonita acabou se tornando uma tortura, o motivo? O que era para ser uma simples formatura se tornou palco para o discurso de vários políticos e similares: "blablablablabla" falavam demais e não diziam nada, seus lábios proferiam muitas palavras, porém, poucas ideias, chegando ao fim dos discursos (que, admito, já estavam me dando sono), olha só que coisa, haveria a palestra de um cidadão formado em História, "opa!", exclamei, "finalmente alguém com conteúdo aqui! Vamos ver o que este homem tem a dizer".
    O homem careca e de aparência simpática logo se apresentou, Álvaro Loro, e com uma linguagem bem humorada (eu que o diga, conseguiu em pouco tempo arrancar várias risadas da plateia e tirar aquela sonolência causada pelos discursos dos políticos) e extremamente dinâmica (o que torna o discurso ainda mais impactante) ele começou a discursar, e vejam, fez exatamente o contrário dos políticos, e disse muitas coisas, falando pouco, expôs muitas ideias, proferindo poucas palavras ("É sábio" pensei).
    Terminada a ótima palestra, onde ele expôs ótimos ensinamentos práticos de vida, eu já estava me sentindo profundamente agradecido por ele ter tirado aquele gosto ruim de palavras de pseudo-políticos do meu tão sofrido ouvidinho, então, no coquetel que aconteceu após o evento, não pude deixar de me dirijir até ele e parabenizá-lo, ele simpaticamente me comprimentou, agradeceu as congratulações, conversamos brevemente (eu não queria me prolongar e parecer chato), e ele me deu um cartão seu.
    Em casa, algum tempo depois, tive a brilhante ideia de propor um negócio para aquele palestrante incrível, e lhe enviei um e-mail propondo que ele escrevesse para o meu blog e em troca, eu divulgaria o nome dele e o seu ótimo serviço, ele aceitou.
    E agora, mensalmente, meus caros leitores, vocês serão brindados com as palavras ágeis e sábias de Álvaro Jorge Loro, um homem formado em História que cativa a todos com as suas propostas e ensinamentos. Para mais informações sobre ele, leiam o cabeçalho com as informações dele, que postarei em todos os seus textos.
    Este é o primeiro texto, e fala sobre objetivos.

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  2. Concordo plenamente com o texto Sr. Loro, ter objetivos é essencial nesta vida, afinal, o ser humano caminha mais quando está perseguindo algo, e como diria um filósofo, cujo nome infelizmente não lembro (mas se eu não me engano deve ser Epicuro), "Se não sabes para onde ir, já estás perdido antes mesmo de de dar teu primeiro passo".

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