sábado, 30 de setembro de 2017
PORCUPINE
todo chão só pedra cinza, trilho de ferro se estende em duas direção, pra lá e pra cá, não se vê fim, barulho seco arrastado agudo estridente metálico arranhado do véio carrinho que passa se arrastando pelos trilho sofrendo empurrado por um véio que se esforça e tosse e leva carrinho até a ponta, o abismo profundo, e joga lixo do carrinho no abismo e volta empurrando carrinho até a outra ponta, cidade, grande, distante e indiferente... fria, um monte de casa bidimensional que se estende dos dois lado do trilho, parece infinitas, parece tudo mentira, os óio dos otro brilha um brilho feroz que perfura treva da janela que oculta eles, em silêncio o véio passa empurrando carrinho em meio as casa fechada que parece escurecê mais ainda a escuridão, no céu nenhuma estrela, só fumaça, pega lixo deixado no fim dos trilho e tossindo e sofrendo e se esforçando coloca lixo no carrinho que empurra pelos trilho e joga no abismo e volta pra cidade e pega lixo deixado no fim dos trilho e tossindo e sofrendo e se esforçando coloca lixo no carrinho que empurra pelos trilho e joga no abismo e volta pra cidade e pega lixo e coloca lixo no carrinho que empurra até pará porque vê no meio dos trilho bebê menino nego chorando que diz - eu me perdí, o véio diz - eu te levo comigo, o menino - agradeço, o véio - eu te ensino, carregando o menino empurra o véio o carrinho pelos trilho e chega no abismo e diz - jogá lixo no abismo, e joga lixo no abismo e tossindo empurra carrinho pelos trilho e chega na cidade e diz - pegá lixo na cidade, mas não tem lixo no fim dos trilho, não tem nada, o véio pergunta - onde que tá o lixo? os otro sai de trás das casa e rodeia o véio cuns óio brilhando um brilho feroz e diz - vai tê que pegá lixo em otro lugar - mas nunca foi assim - mas hoje será assim e talvez seja melhor que você não questione - venha conosco, nós o acompanhamos - deixe o menino - me espere, eu volto, os otro leva ele por trás das casa que são só fachada apoiada no chão por pedaço de madeira, eles leva ele por aí até chegá no fim onde escuro é tudo e muié nua, sem genital nem pelo no corpo, toda feita de oro, diz com voz metálica e solene - pare e veja, ela aponta pro lado onde se vê gato sem pele, sua pele foi arrancada e está estendida com prego na parede, o gato magricelo é só osso e carne e sangue, os óio nunca se fecha, ele tenta caminhá tremendo e sangrando no meio dum mar de agulha brilhante, ele anda e cai e se corta e se levanta e anda e cai de novo sem pará, os óio escancarado quase saltando numa expressão de susto infinito, a boca aberta num eterno miado de dor que nunca sai – mas o que é isso? grita o véio sofrendo a tortura de sentí nas tripa toda a fúria da dor e desespero absoluto - mas o que é isso? muié diz mais a sua voz ecoa gigante pelo espaço - isso é você, o véio desesperado, esticado no chão, mão impotente e fraca estendida pro gato a otra segurando com força o peito que ameaça explodí, grita grito que sai em forma de sussurro roco rasgado - como eu me salvo? - você entra nesse espelho e acompanha o véio e aprende seu trabalho, o véio se arrasta até o espelho e passa pro otro lado e vira bebê menino nego chorando e escuta barulho seco arrastado agudo estridente metálico arranhado do véio carrinho que passa se arrastando pelos trilho sofrendo empurrado por um véio que se esforça e tosse e leva carrinho e pára, o menino chorando diz - eu me perdí, o véio diz - eu te levo comigo, o menino - agradeço, o véio - eu te ensino, carregando o menino empurra o véio o carrinho pelos trilho e diz - jogá lixo no abismo, e joga lixo no abismo e tossindo empurra carrinho pelos trilho e chega na cidade e diz - pegá lixo na cidade, mas não tem lixo no fim dos trilho, não tem nada, o véio pergunta - onde que tá o lixo? os otro sai de trás das casa e rodeia o véio e diz cuns óio brilhando um brilho feroz - vai tê que pegá lixo em otro lugar - mas nunca foi assim - mas hoje será assim e talvez seja melhor que você não questione - venha conosco, nós o acompanhamos - deixe o menino - me espere, eu volto, os otro leva ele por trás das casa e os otro vai pra cima do bebê com língua enorme e roxa que dança pra fora da boca babando uma baba grossa e gosmenta, o bebê assustado sai correndo pelos trilho e chega no fim e cai no abismo profundo e vira um gato cinza pulando pra lá e pra cá nas pedra cinza e é atingido por flecha de bronze e capturado por muié nua, sem genital nem pelo no corpo, toda feita de oro, que com dedo arranca a sua pele e estende ela com prego na parede e solta ele num mar de agulha brilhante, ele tenta caminhá tremendo e sangrando e anda e cai e se corta e se levanta e anda e cai e se corta e se levanta e anda e cai e se corta e se levanta e se corta e anda e se corta e anda e se corta e anda sem pará, até pingá todo o sangue e seco perdê tudo os nervo e as carne que vira tudo em fiapo e só sobrá os osso que vai se raspando um no otro até se desmontá e se desmanchá tudo até virá lixo só e pedra cinza espalhada pelo chão todo
domingo, 17 de setembro de 2017
LIXO
LIXO - isso mora no βuero porque sim. isso já θfaz tempo que mora aqui no baxo. isso gosta. isso não gosta de luz. a luz machuca os óio disso. isso gosta de verdade. é por isso qu'isso veio mora' aqui no baxo. porque lá no cima parece que nada é de verdade. lá no cima. isso gosta de chero daqui do baxo. isso gosta de ve' os pé dos otro do cima passa' de lá pra cá. os pé dos otro do cima são tão rápido. dá de ve' pelo passo quem tem pressa e quem passeia, quem tem alegria trixteza raiva medo e quem não. a maioria dos otro tem sempre raiva. por isso qu'isso nem pensa em sai' do buero. isso tem me_do. aqui no baxo é mais tranquilo. mais calmo. aqui no baxo isso tá sempre= sozinho. mais sozinho d'um jeito bom. porque lá no cima. porque lá no cima lá no cima isso também tava sempre sozinho. mais fica' sozinho no meio dos otro parece que dói mais. é mais ruim. fica' sozinho sozinho* é bem melhor. fica' sozinho de verdade. é mais tranquilo. isso gosta. isso gosta das comida que cai aqui no buero. isso come as sujera. isso come os lixo. isso come os resto. isso come os resto de comida suja nos lixo. isso come de tudo. isso não~ tem nojo de nada. isso come os chiclet5e mascado. isso come os osso. isso come as casca de fruta. issox. isso come até os cabelo e as unhaz que cai no buero. isso sabe identifica' oque qu'é oque. mais isso gosta mesmo mesmo é quando cai aqui no baxo um bixo morto. isso é tipo u8ma festa um banquete. isso gosta disso. isso gosta de verdade. isso gosta quando cai aqui no buerobaxo um rato oum pombo morto. mais isso gosta mais de mais rato. mais é muita comida. isso quase não consegue come' tuddo. o gosto é bom e gostos*o isso gosta tanto qu'isso Φfica dias comendo e recomendo e λambendoo cocô eo xixi que fica c'o gosto do bixo morto mais depois de treis veiz perde o gosto daí isso fica triste quando perde o gosto e tem que dexa' o rio do baxo leva'. isso gosta quando chove lá no cima porque daí isso toma banho a água é boa traiz muita coisa bo a umas comida diferente isso gosta de chero d'água de chuva é um chero de verdade e isso gosta de verdade iss*o come de tudo isso não tem nojo de nada não mesmo mesmo isso come as moeda que cai aqui no baxo as pedra as veiz isso passa mal co'as coisa que come mais isso não ve' pobrema porque depois de fica' mal isso fica mais forte hoje isso já tá bem forte isso gosta de mais de te' força lá no cima isso não tinha força mais isso quase nã*o lembra de nada do cima faiz tanto tempo qu'isso tá aqui no baxo qu'isso nem lembra 9807u80atecnologiaehumlixo0h4yw23mais com'era lá no cima mais é melhor assim melhor não lembra' das coisa de lá do cima lá no cima tudo é muito feio porque parece que tudo é de mentira e isso gosta de verdade mde verdade daí i6TTT55wgf9mn432 que cai um anel dorado aqui no baxo c'uma coisa que brilha muito no meio isso nem pensa muito porque issdo não pensa muito mesmo e já κcome o anel de tão bonito e quando anel cai lá no baxo disso isso tem uma coisa diferente mais estranha mais boa e isso gosta disso daí qu'isso ouve uns grito de lá do cima e desce no buero uma mão bem branca e bem ma*cia e bem bonita aqui no baxo qu'é mais bonita da' mais vontade de morde' q'um bixo morto isso nem pensa muito porque isso não gosta de pensa' porque pensa' faiz ruim faiz sofre' e isso veio aqui no baxo porque isso tava cansado de pensa' e sofre' daí qu'isso morde a mão bonita e arranca um dedo e come e isso sente o dedo entra' no anel lá no baxo disso e isso gosta bastante porque é muito bom e faiz muito bom isso gosta de verdadedaí depois disso isso ouve um monte de grito muitos grito e sirene e buzina e baruião isso não gosta dos baruio e dos grito qu'entra no buero mais isso gosta de te' o dedo no anel lá no baxo disso daí isso sente um monte de coisa diferente no mesmo tempo daí vem a luiz 78j45ctyjwfohgoe os otro começa a infia' luiz dentro do buero e as luiz machuca os óio disso daí isso grita e manda os otro i' embora mais os otro do cima não~ vai em bora daí eles coloca um monte de mão e coisa aqui no baxo isso tenta morde' e come' as coisa mais as coisa se movimenta com muito rápido e só machuca isso daí isso ouve uns babaruio e ve' umas luiz muito forte daí isso fica com medo os otro destrói o buero e vem aqui no baxo e pega um monte de coisa e pega isso e tira isso do buero e joga isso no chão do cima é muita luiz muito baruio isso não entende nada isso ouve umas coisa qu'isso não sabe o que qu'é. o que qu’é isso que porr’é essa eu não sei parece um monte de lixo parece que tá se mechendo não tá não é só um monte de lixo agora tenta achá o anel da moça coitada ela já tá até chorando deve tá no meio dessa porra toda aí daí os otro corta isso c’uma faca em muitos pedaço e vai abrindo e abrindo tudo camada por camada até chegá lá em baxo disso achei o anel eeeeeeeeeee eeeeee eeeee eee daíos otroconstróiobuerodenovoedexatudoospedaçodissoespalhadoporaínacalçadano meiofioenasarjetadaívemachuvaeywj96djthfksgbo7d5fgJVCML8RCE5CHY6ng6GnTGyt6UThuGtY7arrastatudoissodevoltapradentrodobuêro.
8RVN0-OR5AT0.LÃF3RD1N1|||||17.O9.17|||CVVB-brunolanferdini.blogspot.com
Ser ou não ser – Taí a questão (Third Test Edition)
Ser ou não ser – taí a questão (Third Test Edition)
Tradução de Bruno Orsatto Lanferdini
Do monólogo “To be or not to be – that is the question”
Presente na primeira cena do terceiro ato
Da peça “Hamlet” de William Shakespeare
Do verso 056 ao 090
056 Ser ou não ser – taí a questão.
Será que é mais nobre sofrer na mente
As pedras e flechas do destino furioso
Ou pegar armas contra um mar de problemas
060 E se opondo acabar com eles?... Morrer... Dormir...
Nada mais. E com o sono dizer que a gente acaba
Com a dor no coração e os mil choques naturais
Da carne sofrer. Isso é uma consumação
Pra se desejar com devoção... Morrer... Dormir...
065 Dormir... Talvez sonhar. É, esse é o ruim.
Nesse sono da morte os sonhos que vão vir,
Quando a gente tiver caído fora dessa roda mortal,
Devem nos dar pausa. Esse é o respeito
Que faz calamidade de vida tão longa.
070 Por que alguém aguentaria o chicote e os escarros do tempo,
O erro do opressor, o insulto do homem orgulhoso,
As pontadas do amor desprezado, a lentidão da lei,
A insolência do governo e os esporros
Que o mérito paciente toma dos sem valor,
075 Quando esse mesmo alguém pode se fazer quieto
Com qualquer faquinha? Quem aguentaria esses fardos
Gemendo e suando debaixo duma vida miserável
Se não fosse o medo de alguma coisa depois da morte...
O país desconhecido que do interior
080 Nenhum viajante retorna... Que quebra a cabeça da vontade
E nos faz preferir aguentar esses males que nós temos
Do que voar para outros que nós não conhecemos?
Assim a consciência faz sim todos nós de covardes.
E assim a cor nativa da intenção
085 Adoece e fica com a cara pálida do pensamento.
E empreitadas de grandes picos e momentos,
Com esse receio, mudam suas correntezas de direção
E perdem o nome de ação – Agora te aquieta!
A bela Ofélia. – Fada, nas tuas orações
090 Sejam todos meus pecados lembrados.
Bruno Orsatto Lanferdini
Curitiba
17 de setembro de 2017
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