quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Manifesto contra a globalização

A cultura é algo que está aglutinado à ideia de humanidade pois ela é a marca da diversidade que pode ser observada em todas as diferentes civilizações do mundo. E na atualidade, o processo de globalização, surgido desta nossa inescrupulosa sociedade capitalista neoliberal, se mostra como um fator capaz de destruir essa diversidade cultural, e fazer nascer o preconceito e a intolerância diante do diferente. Logo se faz necessário a implantação de uma educação renovada para que o ser humano possa compreender a unidade universal da raça humana, e os seus respectivos direitos à igualdade de oportunidades e diversidade cultural.

A cultura surge como uma criação da capacidade expressiva que o ser humano possui intrincada dentro do seu ser, e quando o ser humano vive numa sociedade essa criação da sua capacidade expressiva vai se repetindo ao longo das gerações, e se tornando cada vez mais tradicional e incrementada, logo, chega um determinado momento, que ocorre quando este grupo passa a viver isolado de outras civilizações, em que estes pensamentos foram tão repetidos ao longo do tempo, que as narrações, os costumes, os conceitos estéticos, a religião e todos os outros fatores culturais, passam a ser assimilados como se fossem verdades universais.

E quando este grupo passa a conhecer outro grupo, com uma cultura diferente, ele se depara diante de um choque cultural incrível, e desse choque incrível pode surgir tanto a síntese cultural (o que é bom até certo ponto), como a desistência de sua própria cultura por parte de um dos grupos (o que é pouco provável e péssimo), como pode ocorrer a simultânea negação da diversidade cultural por parte dos dois grupos (o que também é péssimo). E dessa negação surge o preconceito do qual pode surgir o racismo, que é uma das maneiras mais cruéis de preconceito.

E o preconceito é algo totalmente desumano, porque ele pode causar exploração de povos (cito como exemplo a escravidão dos negros), exclusão social (a situação dos índios e dos negros no Brasil, e dos estrangeiros no Japão), guerras (Cruzadas), e vários outros males que só fazem com que a ideia de união da raça humana vá se desgastando aos poucos.

E na atualidade, a globalização gerada pelas tendências capitalistas neoliberais se mostra como um fator desumano. Porque ela vai criando uma cultura de massa que vai se espalhando ao redor do globo, contaminando a todos e tentando fazer com que todos acreditem nas mesmas coisas, e tenham os mesmos costumes, crenças e opiniões. Isso é um absurdo, porque ela não cria no ser humano a consciência de unidade sobre a raça humana, ela cria no ser humano a ideia de que uma certa cultura é superior as outras, e que esta cultura é que deve ser difundida. Mas isso é uma ilusão, porque todo ser humano é diferente em características e igual em valor, logo, negar essa diferença admitindo a superioridade de uma certa cultura, é negar a essência que o ser humano tem, de diversidade cultural, porém, igualdade de valor.

Se o processo de globalização continuar crescendo, chegará um certo momento em que uma pequena maioria da humanidade irá crer piamente que existe uma certa cultura supostamente superior, e todas as outras culturas vão sofrer, pois serão hostilizadas, sofrerão preconceito e irão, aos poucos, sendo marginalizadas e excluídas da humanidade, E a “cultura única” que irá sobrar, não passará de um enorme povo vazio, pois não terá ideia de seus valores culturais e históricos, e os governos absolutistas e demagogos terão uma enorme facilidade para manipular a mente de um povo alienado numa mesma cultura de massa. Ou seja, se o processo de globalização continuar se desenvolvendo, o que sobrará será um povo inteiro alienado e manipulado, e os poucos que não compartilharem de tal visão, serão marginalizados, e consequentemente, excluídos da sociedade.

E ao perceber tudo isso, eu proponho algo que está se tornando cada vez mais necessário no decorrer do tempo, uma educação à tolerância do diferente. Pois hoje em dia qualquer ser humano sabe que o mundo é redondo e que existem culturas totalmente diferentes ao redor deste. Logo chegará um determinado momento na história da humanidade onde nós teremos de conviver ao lado de pessoas com costumes, crenças e opiniões totalmente diferentes das nossas. Mas o que fazer quando esse dia chegar? Tentar convencer o outro das nossas verdades? Gerar guerras? Exclusão social? É claro que não, teremos que deixar os preconceitos de lado e aprender a conviver juntos.

E a única maneira de mostrar à humanidade que não existem culturas superiores, que somos todos iguais em direitos e capacidade, porém diferentes em características, é fazer com que todo ser humano aprenda a respeitar e amar o próximo, independentemente de sua “raça”, religião, cultura, classe social ou opção sexual. Pois a humanidade é uma só, e é só através da união que nós poderemos cooperar um com o outro criando assim uma sociedade mais justa e igualitária, que dá oportunidades iguais à todos, para que todos tenham a chance de realizar seus sonhos. E essa união só será alcançada quando a humanidade reconhecer a sua própria essência, o que ocorrerá só quando houver educação para isso.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Organização do entendimento humano

INTRODUÇÃO

Ultimamente venho assistindo com certo pesar os conflitos entre os meios que o ser humano usa para entender o mundo e a si mesmo. Os mais conhecidos são os embates entre a Ciência e a Religião, e a Filosofia e a Ciência. E foi esse pesar que eu usei como motivo para iniciar um processo de reflexão filosófica acerca do tema. Inicialmente muitas perguntas me assolaram: “Quem está certo?”, “Alguém está certo?”. E assim a minha reflexão filosófica se iniciara, e após muito pensar eu percebi que esses conflitos são simplesmente patéticos, e os representantes das ideias que defendem um ou outro lado deveriam se envergonhar e reconhecer que estão perdendo tempo com discussões que não chegam a lugar algum.

E o que me levou a crer que tais discussões seriam patéticas, foi o fato de ter percebido, após longos momentos de reflexão, que as áreas da Religião, da Ciência, da Filosofia e da Arte, são totalmente incompatíveis e desconexas, logo é impossível um debate sério entre Fé e Racionalidade, por exemplo, pois são áreas totalmente diferentes. Tal discussão poderia ser comparada a dois homens discutindo, o primeiro homem exclama “O fogo é quente!” e o segundo homem refuta “Não, a água é que é úmida”, e assim permanecem sem nunca chegar a uma conclusão plausível.

O exemplo mais concreto de minha argumentação pode ser a discussão sobre a criação do homem. A Ciência defende a teoria evolucionista, segundo a qual teria sido o homem uma evolução de antigas espécies, já a Igreja Católica defende a teoria criacionista, segundo a qual o homem teria sido criado por um deus, só que nós devemos entender que esses “tipos” de criação diferem quanto ao objetivo. A teoria evolucionista, proposta pela Ciência, busca explicar como o homem surgiu, mas de maneira material e física, já a teoria Criacionista busca fundamentar sobre como o homem teria surgido como um ser moral, cultural e religioso.

Pois quando se lê o livro do Gênesis deve-se ter em mente que os antigos ancestrais hebraicos e os autores da Bíblia Sagrada não tinham sequer a mínima intenção de explicar como teria surgido o homem de maneira física, biológica e científica. Eles buscavam elaborar e narrar sobre como teria surgido o homem, mas de uma maneira a formar uma base para a criação de valores morais, culturais, espirituais e religiosos. Não devemos nos esquecer que os elementos bíblicos não passam de um monte de figurações simbólicas representativas que servem para repassar certo valor moral, por exemplo, o fato de Deus ter descansado no sétimo dia da Criação é uma maneira de dizer que “Não importa o que você esteja fazendo, todo ser humano merece um momento de descanso” e de certa forma procura representar a atitude neutra de Deus perante a humanidade, dando assim ao homem, a oportunidade de poder escolher seu destino, algo do tipo “Agora estou descansando, faça o que achar melhor”.

O exemplo recém citado é só uma das mil interpretações que a Bíblia Sagrada possui, assim como qualquer livro de qualquer religião. Já quando se lê o livro “A Evolução das Espécies” de Charles Darwin, devemos ter em mente que ele não pretendia dar explicações sobre os valores morais do homem, ele só queria saber como que um ser gerou outro e assim por diante, de modo a poder ter mais entendimento sobre os fenômenos da natureza.

O outro embate famoso que citei foi o da Ciência com a Filosofia. Sendo que ultimamente a Ciência anda evoluindo a passos largos, várias vezes nos vemos questionando a utilidade da Filosofia. Mas devemos nos lembrar então que a Ciência busca explicar a realidade e conhecer os constantes fenômenos que ocorrem na natureza, já a Filosofia busca compreender a realidade e conhecer a causa e a finalidade das coisas. Por exemplo, um cientista pode explicar como surgiu o Universo (Big Bang é a teoria mais aceita na atualidade), mas se perguntarmos a este mesmo cientista “Porque existe o Universo?” ou “Qual a essência do Universo?”, daí provavelmente ele titubeará sem palavras, e te dará o nome de um bom livro de Filosofia para ler.

E foram essas diferenças que me levaram a organizar o entendimento humano em “áreas de entendimento”, para que então o ser humano pudesse saber até onde vai certo método de entendimento, e para que só assim essas áreas pudessem parar de entrar em conflito e começassem a cooperar entre si para aumentar o entendimento que a humanidade tem sobre o mundo e sobre si mesma.

AS ÁREAS DO ENTENDIMENTO HUMANO

A primeira área eu defino como a “ÁREA EXPLICÁVEL”. Esta é a área que o ser humano pode tocar, ver, analisar, estudar, descrever com palavras e medir através de fórmulas que lhe dão números perfeitos e estatísticas exatas, o ser humano busca entender essa área através de sua mente e de sua racionalidade. Esta área estuda o mundo em que o homem vive de maneira física, e busca obter conhecimento sobre os constantes fenômenos que ocorrem no mundo, para que então o homem possa usar esse conhecimento no intuito de tornar a sua vida mais confortável. Esta área também pode ser chamada de área científica, pois é a Ciência a responsável por tal área.

A segunda área eu chamo de “ÁREA COMPREENSÍVEL”. Esta é a área que o homem usa para conhecer a causa, as conseqüências, o significado, a essência e a finalidade das coisas. Esta área não compartilha da mesma exatidão da primeira área, pois ela não trata de coisas observáveis e palpáveis, e talvez por causa disso ela não compartilhe do prestígio da primeira. Esta área busca pelo conhecimento em absolutamente tudo, e é esta área que está sendo usada agora para que seja elaborado esse estudo que você está lendo neste momento. E é somente esta área que pode conhecer as outras sem se tornar intrusiva.Esta área também pode ser chamada de área filosófica, polis é a Filosofia a responsável por tal área.

A terceira área pode ser citada como “ÁREA SENSÍVEL”. Esta é a área pela qual o ser humano expressa seus sentimentos. Esta área é uma maneira do ser humano identificar-se a si mesmo e o mundo que o cerca, mas através dos sentimentos, das emoções e das percepções sensoriais. Esta área pode se expressar por meio de várias maneiras, e muitas vezes ao se estudar as criações desta área você pode perceber o sentimento e as ideias que um artista ou uma sociedade tinham no momento de suas respectivas criações, como você já percebeu, esta área também pode ser chamada de área artística, porque é a Arte que se faz responsável por desbravar esta área do entendimento.

A última área pode ser nomeada de “ÁREA IMPREVISÍVEL”, esta é a área pela qual o ser humano busca entender aquilo que não pode ser previsto nem analisado. Devemos ter em mente que no percorrer da vida humana surgem várias perguntas, que vão sendo respondidas, porém há certas perguntas que permanecem para sempre sem respostas definitivas, e estas perguntas não são só simples perguntas, elas são mistérios universais, como por exemplo “O que acontece depois da morte” (como ninguém pode voltar à vida, logo é impossível responder essa pergunta) ou “Um dia a Terra vai acabar? Se vai, quando?” (como ninguém pode prever o futuro esta pergunta também fica sem respostas). Só que devemos observar algo que é instigante, o ser humano possui uma sede incrível de conhecimento, logo ele não poderia deixar tais perguntas sem respostas, seria um insulto à sua inteligência. Então como ele não pode prever, ele especula possíveis acontecimentos, e esses acontecimentos são narrados pela religião, que surge como um fator cultural de um certo povo. E é por esses fatores que esta área também pode ser chamada de área religiosa.

CONCLUSÃO

Numa análise mais minuciosa, veremos que cada área busca entender a realidade através de um método distinto, são estes respectivamente: a explicação, a compreensão, a percepção e a especulação. E cada uma dessas áreas exige uma certa qualidade do ser humano, a área explicativa exige estudo do físico, a área compreensiva exige pensamento e reflexão, a área sensível exige sentimentos e experiências e a área imprevisível exige fé. E podemos dividir estas áreas da seguinte maneira, as que fazem uso da racionalidade (explicativa e compreensiva) e as que fazem uso dos sentimentos, das experiências e das percepções sensoriais (sensível e imprevisível).

Ao fim desse estudo somos levados a concluir que diante de um mundo tão diversificado e com tantos métodos para seu entendimento, é impossível assumir uma visão reducionista da realidade, admitindo só um meio como o único possível para se achar as verdades existentes no Universo. É como se cada conhecimento verdadeiro sobre a realidade estivesse escondido em um lugar diferente, portanto, nada mais aceitável do que ter de tomar caminhos diferentes para poder alcançá-los. Em suma, observa-se que o ser humano, o mundo, a vida e a realidade possuem várias facetas, que se tecem eternamente num conjunto complexo, onde cada partícula faz parte de um todo maior ao qual está ligado, e que para se ter conhecimento sobre todo esse conjunto complexo é necessário que as áreas do entendimento humano passem a entender os seus respectivos fins, objetivos e utilidades, para que só então elas possam cooperar entre si simultaneamente, e assim façam com que a cada dia o ser humano passe a obter mais conhecimento sobre si e sobre aquilo que o cerca.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Análise crítica da música "Metamorfose Ambulante" de Raul Seixas

Se fizermos uma comparação entre a História da Filosofia e do pensamento ocidental e a música Metamorfose Ambulante, veremos que estes dois compartilham de um grande número de semelhanças. Mas se analisarmos a música de uma maneira mais crítica veremos que ela não retrata fielmente o teor da Filosofia, como dito por outros até então. Do contrário, ela descreve e faz apologia ao relativismo, que é hoje em dia um grande problema daqueles que estão começando a entrar no mundo da Filosofia.

Se analisarmos os seguintes trechos da música veremos que acusar ela de apologia ao relativismo é algo lógico e fundamentado em argumentos sólidos:

“Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”

Neste trecho fica bem claro a intenção do autor, que afirma que prefere o relativismo ao dogmatismo.

“Eu quero dizer
Agora o oposto do que eu disse antes”

Revela a sua vontade de se autocontradizer constantemente, e obter assim, eternamente, um posicionamento pouco firme perante as coisas e as ideias.

“Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou”

Afirma não possuir domínio sobre o seu próprio ser, mudando constantemente de essência, uma hora é “estrela”, noutra “já se apagou”.

“Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor”

E ele não só muda de essência como muda de sentimento em relação às coisas, uma hora odeia, noutra ama.

“Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator”

Pode possuir várias opiniões simultâneas, apesar de contraditórias, sobre uma mesma coisa, e ainda assim fingir ser outra coisa e ter outra opinião, ou seja, um ator.

“É chato chegar
A um objetivo num instante”

Nega ao conhecimento “pronto”, característico do dogmatismo e do senso comum.

“Eu vou desdizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes”

E por incrível que pareça, no fim da música ele ainda afirma que vai desdizer aquilo tudo que disse antes, ou seja, a própria música é uma “metamorfose ambulante”, e apesar de todas as informações que já foram dadas segue se modificando eterna e constantemente.

Outro fato para o qual devemos ficar atentos é o próprio nome da música "Metamorfose Ambulante". Metamorfose é algo que constantemente muda de forma ou de estrutura e ambulante é algo que perambula sem se fixar em lugar algum, Metamorfose é diferente da evolução, que muda de forma para alcançar uma estrutura melhor e mais bem desenvolvida, e ambulante é diferente de viajante, porque viajante é aquele que mude de lugar para alcançar um outro lugar, no caso, o seu respectivo destino. Ou seja, se a música quisesse mesmo caracterizar a Filosofia o nome provavelmente seria “Desenvolvimento constante” ou “Busca incessante” e por aí vai. Mas a música simplesmente prefere mudar de forma e de lugar sem se preocupar com melhorias, em suma, uma visível apologia ao relativismo.

Se compararmos a música com a História da Filosofia, veremos que as duas se encaixam no sentido que a Filosofia também mudou, ao longo dos seus vinte e sete séculos de história, de estrutura (Já lutou contra os mitos, Já serviu à Igreja e já foi profana) e de lugar (já esteve na Grécia, na Itália, na França, na Inglaterra e na Alemanha, e hoje está por toda a parte), portanto até aí a comparação é justa.

Mas se compararmos a música à Filosofia de hoje, veremos que ela trata do problema do relativismo, que hoje é um problema que afeta um grande número de pessoas que estão começando na Filosofia. E tratar a Filosofia como algo relativo é negar toda a veracidade das suas afirmações. Se todos começarmos a achar que a Filosofia não tem um método sistematizado de pesquisa, que não busca um conhecimento verdadeiro e real, se acharmos que ela varia banalmente de pessoa para pessoa e de época para época e de lugar para lugar, e se começarmos a crer que cada realidade tem a sua verdade, daí nós estaremos afirmando que todo o trabalho que os Filósofos tiveram até agora para tentar compreender a realidade não passa de uma dada quantia de afirmações fundamentadas em achismos, e então nós estaremos tomando um posicionamento de total preguiça, desleixo, e desinteresse perante o conhecimento verdadeiro e uno. E quando a crença no conhecimento verdadeiro morre , morrerá junto o interesse em buscá-lo, e no fim das contas só sobrará um dogma, o do relativismo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Juventude vazia

Falar da juventude é de certa forma falar de um futuro próximo, pois em breve os jovens de hoje se tornarão os adultos de amanhã que vão atuar na sociedade modificando-a e desenvolvendo-a, e a partir de tais afirmações é impossível não fazer a seguinte questão “Observando os jovens de hoje em dia, o que podemos afirmar sobre o futuro da nossa sociedade?”

Enfim, saindo um pouco da questão recém feita, vamos procurar por algumas premissas básicas para darmos continuidade ao tema de forma lógica. A juventude tem características muito peculiares, as principais que se pode citar seriam: O dinamismo; a força de vontade de lutar pelo que quer; e a necessidade de atenção e de reconhecimento social.

Agora vamos às comparações. O que queriam os jovens das décadas de 60, 70, 80 e 90? Liberdade! Ou seja, eram tempos difíceis aqueles em que a ditadura governava, mandava e desmandava. A democracia andava esquecida de lado, e não se tinha o “celularzinho”, o “gamezinho”, o “orkutizinho” e etc. O que sobrava era apenas um sonho, um sonho de uma sociedade mais justa livre e igualitária, mas como alcançar esse sonho? Com protestos, luta, e muito engajamento político e social. Isso resultou numa juventude ativa, que se mantinha informada para poder saber como andava o mundo e como tentar modificá-lo, e assim a juventude se tornou ativa nas “Diretas já!” e no movimento das caras pintadas, e dessa forma conseguiram se reunir para lutar pela democracia no país e pela destituição de um governante corrupto, em suma, observa-se que a juventude quando unida tem muita força.

Hoje nem o jovem nem o mundo mudaram muito. O mundo está como sempre, uma droga nas mãos do capitalismo, governantes corruptos, aquecimento global, drogas, violência, fome, sede, miséria, AIDS, câncer e etc. Enfim, mil assuntos que seriam mais bem tratados se a juventude se unisse e fosse às ruas protestar. E a juventude também não mudou muito, eles continuam lutando pelo que querem, mas o que eles querem hoje em dia? O celular, o livre acesso a Internet e a redes sociais, o game do lançamento, a roupa da moda, o CD da banda da moda e por aí vai. Ou seja, a política neoliberal e capitalista conseguiu não só domar a juventude, mas domesticá-la. Antes o jovem queria mudar “O Mundo” hoje ele quer mudar “só o seu respectivo mundinho”, antes a juventude queria o direito ao voto, hoje o jovem nem sequer sabe a utilidade dele, e a única luta que se vê um jovem fazendo é a de tentar persuadir o pai a lhe dar o tão desejado celular, Internet, CD da moda e etc...

Outra semelhança, é que o jovem de todos os tempos gosta de chamar a atenção, só que antigamente o chamar a atenção significava sair às ruas com movimentos sociais que resultassem numa alteração da realidade. Hoje chamar a atenção é se vestir com cores espalhafatosas, pentear o cabelo de forma chamativa, é ter o celular, o tênis e as roupas da moda, é ter uma conta numa rede social com vários contatos e com a intimidade toda revelada e à mostra para quem quiser ver.

E tudo isso se reflete na música, pois como diria Beverly Sills “A arte é a assinatura da civilização”. Nos anos 80 e 90 (época em que a militância juvenil alcançou seu auge) os músicos, em geral, tinham uma aparência que inspirava um certo desleixo perante a vaidade, e as letras das músicas remetiam à rebeldia e contestações políticas. Hoje a coisa mudou um pouco de sentido, a vaidade e o superficialismo são incrivelmente visíveis nas bandas do dito “happy rock” (que na minha opinião, de rock não tem nem um fio de cabelo, aquilo está mais próximo é de uma espécie de “color pop” ou seja lá o que for). A juventude de hoje parece que criou um “mundinho colorido” para o qual foge, para se esconder da realidade e ir de encontro ao senso comum e ao consumismo exacerbado. As letras das músicas de hoje em dia só sabem falar de amor e outras coisas de sentido subjetivo e individualista, sem sequer chegar perto de assuntos que tenham qualquer envolvimento com política, ética ou a triste situação da nossa sociedade.

Outra coisa que foi modificada é a composição instrumental das músicas, antes o guitarrista precisava de uma mão ágil e de muita inspiração para executar um solo bem elaborado, o baterista tinha que ter um braço forte, boa coordenação e musicalidade para criar um ritmo envolvente. Hoje não! A preguiça de se fazer uma música elaborada, complexa e com competência é tão grande que as músicas não passam de um fundo musical incrementado com uma boa dose de som eletrônico, ou seja, falta habilidade, mas sobra tecnologia para substituí-la, infelizmente.

Enfim, após tantas evidências de uma juventude que foi domesticada pelo capitalismo e pelo consumismo nos remetemos à questão proposta no início do texto, e aqui vai a resposta: Se a situação permanecer tal como está teremos um futuro consumista, superficial e com um número enorme de adultos que não vão se importar com a realidade, vão se importar apenas com o seu status social, e serão todos dotados de uma mentalidade tão pobre de senso crítico e tão abundante em alienação e massificação que os governos e os aristocratas não terão muita dificuldade em manipulá-los.

Mas não adianta só criticar, tem que apresentar propostas de soluções, e a minha proposta é essa: Uma geração jovem tão alienada e massificada só pode ter sido criada por uma sociedade capitalista e consumista, e que pouco investe em educação, esta geração está perdida, em relação a ela não há mais nada o que fazer. Mas para que as gerações futuras não se percam serão necessários pesados investimentos em educação e uma sociedade comunista deverá surgir, e só assim o povo será educado a pensar em si sem superficialidade e como uma sociedade una.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sobre a ilusão televisiva

O fato de a TV ter contribuído significativamente para a distribuição de informação, conhecimento e cultura é louvável, mas devemos no mínimo criticar e analisar ao fundo esta questão, para que possamos compreender os reais motivos e causas que antecedem a isso. Se esta análise ocorrer perceberemos que a TV possui dois lados: O ruim, e o que parece ser bom.

A distribuição de informação e conhecimento alcançou, após o surgimento da TV e dos meios de comunicação em massa em geral, patamares nunca antes observados, nunca antes uma informação chegou a todos os cantos do mundo em tamanha velocidade, em um piscar de olhos nós recebemos notícias que acabaram de acontecer no mundo todo, nunca antes tantas pessoas tiveram tanto acesso a tantas informações em tempo real, isso parece ser bom, mas em mãos erradas pode ser uma arma letal. O que ocorre é que com um governo capitalista e demagogo, e com um empresário inescrupuloso no controle da divulgação de informações, a situação muda, e o que deveria servir para tornar um povo consciente e bem informado acaba por tornar o povo mais alienado e manipulável, pois a notícia acaba sendo modificada para que se mostre o que o empresário quer mostrar, e para que crie a opinião que o político quer criar, e diante de tal situação a informação acaba virando um produto de venda e de manipulação.

Outro ponto dualista da TV é a cultura, percebe-se que, por exemplo, a mesma novela que é exibida no norte é exibida no sul, e com isso a TV dá início a um processo de simplificação e unificação da cultura, isso pode ser bom no sentido de auxiliar a aumentar a união cultural de uma nação, mas pode ser ruim no sentido de estar destruindo a diversidade cultural e a tradição, e não devemos esquecer que um povo com uma mesma mentalidade é mais fácil de ser manipulado. Não é mesmo?

E quanto à alegação de que ela é uma ótima companhia para os doentes, para os solitários e outros, sem dúvida o é, mas não passa de uma miragem no deserto que conforta teus olhos mas não salva tua vida, enquanto nós estamos inertes e parados em frente a TV, bilhões de pessoas no mundo sentem sede, morrem de fome, de câncer ou de AIDS. Enquanto uma pessoa está assistindo a TV ela está desperdiçando a chance de ter uma boa leitura (que sem dúvida é melhor que o aparelhinho quadrado), ou de pelo menos se entregar ao ato reflexivo filosófico.

Sempre que o assunto é TV, vem logo à minha mente o Antigo Império Romano, pois os dois assuntos são muito semelhantes. Perceba que no Antigo Império Romano o governo começou a se assustar quando percebeu que em suas mãos se iniciaria uma grande revolta popular, talvez até uma guerra civil. O que ele fez? tratou de gritar para o povo “Ei! Vocês aí! que tal construírem um local para diversão, uma lugar para que vocês relaxem enquanto nós lhes entregamos pão de graça”, começava aí a política do pão e circo, e o próprio povo romano foi o que construiu as arenas, tal situação não é muito diferente dos dias de hoje, só que ao invés de arena temos a “novelinha” e o “futebolzinho”, ao invés do pão de graça temos o bolsa família e outros benefícios, e ao invés de construir arenas nós trabalhamos o dia inteiro pra pagar as parcelas da TV.

Gostaria de encerrar o presente texto com as seguintes perguntas “E se ao invés de passar tanto tempo em frente à TV as pessoas refletissem sobre suas vidas e a sociedade? ou filosofassem? como seria o mundo? A realidade? Como seria a vida das pessoas?”. E se quiseres saber as respostas para estas indagações, desligue a TV e pense um pouquinho.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Filósofo deve ajudar a ver a luz

O conhecimento filosófico se diferencia dos outros tipos de conhecimento pela profundidade que ele alcança.

Com a modernidade o pensamento positivo foi se tornando cada vez mais habitual e a famosa expressão "comprovado cientificamente" foi ganhando cada vez mais credibilidade, isso resultou naquela famosa expressão muito conhecida dos céticos "eu só acredito no que os meus olhos podem ver", ou seja, tanto a mentalidade positivista quanto a cultura capitalista que visa o observável, o palpável e o lucrativo foram gerando nas pessoas uma mentalidade do querer o rápido e o visível, do "já ou agora". Mas tal pensamento é muito frágil, por exemplo, sempre que alguém me diz tal frase, eu faço uma pergunta desconcertante "Então você não acredita na existência de raízes de árvores?", e é claro que a pessoa fica extremamente surpreendida com a minha pergunta, mas mesmo assim eu prossigo, "Porque é óbvio que quando você olha para uma árvore você não vê a sua raiz, mas é justamente esta que lhe dá sustentação e lhe fornece nutrientes para que ela viva", ou seja, a ciência busca conhecer o observável, e a filosofia o real sentido e causa das coisas. Se observarmos a partir do exemplo que eu citei, digamos que o cientista seria aquele que chega bem próximo da árvore e passa a observá-la com um microscópio para entender todo o seu funcionamento e seus fenômenos, já o filósofo seria aquele que fica se perguntando o que tem debaixo da terra, e certo dia, em nome de sua paixão pelo conhecimento ele resolve pegar uma pá e cavar o chão que está ao redor da árvore, e é aí que ele descobre a raiz, ou seja, o conhecimento essencial do objeto a ser investigado. Quanto a pessoa que vê sua crença cega no observável desmoronada pela minha pergunta: fica com uma expressão pensativa, sobre os resultados de seu pensamento eu não me informo, mas fico feliz em saber que à provoquei à buscar um conhecimento mais sólido.

O filósofo tem a missão de chamar as pessoas para fora da caverna, mas não deve obrigá-las a fazer isso.

Não me lembro onde li, mas certa vez ouvi uma frase que expressa bem o que quero dizer "O professor de filosofia deve abrir cabeças, não fazê-las, e existe uma longa distância entre abrir cabeças e fazer cabeças", em suma, se adotarmos como exemplo o mito da caverna de Platão veremos que o filósofo é aquele que saiu da caverna e viu a luz das coisas, e ele volta para a caverna para chamar as pessoas para conhecer o mundo lá fora, porém ele deve provocá-las a sair da caverna, não obrigá-las, ele deve incentivar o parto das ideias (e é exatamente da maiêutica de Sócrates que eu estou falando)

Vejamos alguns exemplos:

  • O filósofo que sai da caverna e resolve não voltar para a caverna para chamar os outros é o filósofo isolado da sociedade, aquele que não divulga suas ideias, é aquele filósofo que fica trancafiado no seu quarto lendo um monte de livros sem se importar com a aplicabilidade das suas teorias, este filósofo é aquele que é tomado pelo pensamento preguiçoso "pra quê chamar aqueles sujeitos pra vir aqui fora? Eles vão achar que eu sou louco e nem vão me dar ouvidos!”;

  • O filósofo que obriga os outros a sair da caverna à força é o dogmatista, aquele que cria as ideologias e às impõem, é aquele que vai la dentro e faz os outros saírem da caverna à força, sem levar em conta a autonomia dos indivíduos e suas capacidades críticas;

  • O filósofo verdadeiro é aquele que entra na caverna, e com jeito, fala às pessoas que lá estão trancafiadas: "Nossa! essas algemas não estão doendo? Não quer que eu as tire? Você sabe o que é uma cor? Donde vem a luz? Que tal tentarmos descobrir a origem dela?”.

Filosofia, a ciência do tudo e do nada

Se eu pudesse definir qual é o objeto de estudo da filosofia, seria o tudo e o nada. O nada porque a filosofia estuda as ideias, portanto ela nunca estudará algo palpável e/ou observável pelos globos oculares ou pelas lentes de um microscópio ou telescópio. E do tudo porque ela pode estudar qualquer coisa, ela pode estudar o homem e o mundo, a verdade e a mentira, a amor e o ódio, a paz e a guerra, aquilo que existe e aquilo que não existe também, o tudo e o nada, das coisas mais simples às mais complexas. Em suma, tudo e mais um pouco.

Eu costumo dizer que enquanto as outras ciências se delimitam a buscar por respostas, a filosofia se mostra superior ao buscar por perguntas.

Eu não quero com tal afirmação fazer apologia ao ceticismo ou ao niilismo, ou afirmar uma certar idolatria da pergunta.

Eu só estou querendo dizer que eu acredito na anamnésis descrita por Sócrates, e eu acredito em ideias inatas e acredito que existe um conhecimento verdadeiro, e esse conhecimento verdadeiro é como se fosse um tesouro, e a pergunta bem elaborada é como se fosse um mapa para chegar à esse tesouro, e o aventureiro que está em busca desse tesouro é o filósofo, e o seu sentimento de aventura que o move para ir em busca do tesouro é a filosofia, ou seja, de que adianta existir um conhecimento verdadeiro? Você nunca chegará até ele se não fizer a pergunta certa.

Em suma, Filosofia seria o sentimento de amor perante o conhecimento verdadeiro, e esse sentimento surge também como ciência, que formula as questões para chegar ao conhecimento do tudo e do nada.

domingo, 1 de agosto de 2010

Sobre o blog

No presente texto pretendo revelar os motivos e causas que me levaram a criar este blog, o que é este blog e quais assuntos que serão aqui tratados, e quais objetivos pretendo alcançar com ele.

Diante da realidade eu me mostro como um ser singular e com uma visão crítica da sociedade, pois eu diante de tantas injustiças e mistérios acabei por não me satisfazer com os conceitos deterministas que me eram dados sobre o mundo, e junto à isto unem-se meu espírito curioso e crítico, afinal, sempre estou em busca do saber, logo eu cheguei à uma conclusão bastante louvável, de que adianta eu possuir uma visão crítica da sociedade e uma porção de opiniões autônomas se eu não às exponho, portanto me cansei de guardar as minhas opiniões só para mim e a partir de agora vou expô-las para que os meus conhecimentos e minhas ideias possam ser compartilhados com todos aqueles que se mostrarem interessados.

Eu sou um acadêmico de Filosofia, e de certa forma um filósofo, se levarmos em conta de que o filósofo é aquele que ama o conhecimento e o busca de forma crítica e com um compromisso com o pensamento lógico, claro, coerente e sistematizado. E de certa forma segundo as palavras de Gramsci "Todos os homens são filósofos", logo a imagem do filósofo intelectual e totalmente isolado da sociedade em um quarto escuro e cheio de livros não condiz, geralmente, com a realidade, o filósofo seria aquele que ama o saber, mas não basta só amar,  deve-se buscá-lo com clareza e lógica, e não adianta só buscá-lo, se eu só buscasse o conhecimento me tornaria um ser inútil para a sociedade, eu devo, portanto, buscar o conhecimento e divulgá-lo, para que assim a sociedade vá aumentando o seu conhecimento e se desenvolvendo, e só assim um filósofo contribui para a sociedade, divulgando as suas ideias e modificando pensamentos, mas não de forma ideológica e sim de forma crítica, em suma, pretendo a partir deste blog discutir filosofia, ética, política, conhecimento, arte, cultura, religião e tudo que for concernente e útil para a sociedade em geral, eu darei início ao assunto, irei expor minhas opiniões mas todos os meus leitores deverão saber que aqui não estou tentando persuadir ninguém à seguir minhas opiniões de forma ideológica, de certa forma, eu pretendo abrir a cabeça das pessoas para um mundo crítico e real, e assim cumprir com a minha missão como filósofo.

O objetivo deste blog é o de espalhar e de certa forma popularizar a cultura filosófica para que a sociedade vá adquirindo um teor mais crítico perante os conceitos que nos são impostos, e espero que o meu blog se torne o incentivo de muitos para começar a perceber a realidade como ela é, e não como querem que nós pensemos que ela seja.

E por último gostaria de lembrar que eu não estou aqui só para divulgar meu conhecimento, quero aumentá-lo, e isso só é possível com o diálogo, portanto se você possui alguma dúvida, comentário e/ou sugestão, ou de certa forma quer refutar algumas de minhas ideias e opiniões, por favor se comunique comigo através dos comentários, mas não se esqueçam, eu não vou permitir insultos, palavras de baixo calão, preconceitos e acusações sem fundamento em meu blog, saibam todos que para que a discussão se torne proveitosa todos podemos discordar da opinião do próximo e expôr as nossas ideias, mas devemos fazer isso com níveis aceitáveis de respeito e educação.

Enfim, por enquanto é só isso.
Obrigado pela atenção e boa leitura.