segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Não se apaga fogo com fogo

Qualquer um que tenha ligado seu televisor para assistir as notícias durante esta semana notou que a cidade do Rio de Janeiro está realizando uma espécie de “expulsão” dos traficantes de suas favelas, e esta operação não é pequena, pois o BOPE e as forças armadas estão atuando para expulsar os criminosos, e até tanques de guerra estão sendo utilizados nesta operação. O que eu critico por meio deste texto é “Qual a validade desta operação? Será que expulsar os traficantes das favelas ou até mesmo eliminá-los pode garantir paz aos moradores das favelas? Seria esse o fim da criminalidade?”

Se eu pudesse atribuir apenas um nome para esta situação seria “ilusão”, pois para mim o que está acontecendo é bem claro, eles estão apavorando os bandidos, tentado eliminá-los ou expulsá-los, e assim eles se iludem achando que estão cortando o mal pela raiz, enquanto que estão apenas podando a planta. O que acontece é que toda esta situação se originou de uma incrível fúria adormecida, todos estavam cansados do tráfico, dos assaltos, dos sequestros, das milícias, enfim, da violência e do crime, e a polícia e o exército resolveram reagir a isso atacando pesadamente o crime, mas como se sabe, a fúria nos cega ao invés de nos fazer ver mais claramente.



Armas eficientes na luta contra o crime e a violência


Infelizmente estes indivíduos com armas nas mãos e raiva nos olhos não entendem que a única maneira de eliminar o crime e a violência de uma sociedade é somente por meio da educação, da arte, do esporte e da geração de empregos. Infelizmente a raiva que a sociedade tem dos criminosos a cegou, e isso a impede de ver que o crime nasce numa sociedade que não dá oportunidades aos seus cidadãos, o crime, em suma, é uma doença social, que só pode ser tratada com a educação.

E é nessas horas que eu sinto compaixão por certos criminosos, porque apesar de haver aqueles que praticam o mal por prazer (o que ocorre no caso dos corruptos) existem aqueles que o praticam por falta de opção, vamos então imaginar o caso hipotético de um sujeito chamado Fernando, este quando criança não frequenta a escola por falta de vagas no ensino público e pelo fato de seus pais não terem dinheiro para bancar uma escola particular, e ao crescer, por falta de escolaridade e qualificação, não arranja emprego no mercado de trabalho, mas as coisas vão apertando e ele tem que arrecadar dinheiro, pois já está crescido e tem que arrumar dinheiro para sustentar sua família, então um amigo de infância apresenta pra ele uma ideia, fazer assaltos à mão armada, e no final das contas, Fernando não suporta mais ver sua família passando por necessidades e acaba entrando no mundo do crime, certo dia a sociedade se cansa dos assaltos e a polícia resolve invadir a favela com tanques de guerra e botando todos os criminosos pra correr. Um desses criminosos é o Fernando, que acaba levando um tiro e morrendo, agora vamos raciocinar um pouco, “Será que é justo que pessoas que não tiveram oportunidade na vida tenham que pagar por isso? Até quando essa sociedade injusta vai por a culpa pelos crimes nos criminosos e não nos verdadeiros culpados, os políticos corruptos que roubam o dinheiro público que deveria ser usado para investimentos em educação, arte e esporte e o colocam em suas cuecas sujas e fazem com ele o que querem? Quantos ‘Fernandos’ terão que morrer para a sociedade entender o que está acontecendo? Quando tudo isso vai acabar?”

Quando uma casa está pegando fogo, o que acontece? O corpo de bombeiros é acionado e ele vai lá apagar o fogo com água, não com fogo, essa analogia serve para mostrar que o crime não se combate matando os bandidos, a violência não se combate com mais violência, mas com pesados investimentos em educação. Porque vagas de emprego não faltam, o que falta são pessoas qualificadas, logo quando se investe em educação as pessoas se tornam mais qualificadas e mais aptas para o mercado de trabalho, e as crianças que praticam algum esporte ou alguma arte se mantêm ocupadas e não entram para o mundo do crime das drogas, e inclusive podem até se tornar, futuramente grandes artistas ou esportistas.

E para finalizar esse texto eu respondo os questionamentos que fiz no começo deste. Essa operação não tem valor algum, pois daqui a algum tempo tudo voltará a ser como era antes, e os moradores da favela só terão paz quando o crime acabar e este só irá acabar quando houver investimentos em educação, arte, esporte e geração de empregos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Os símbolos por trás de um ídolo

Uma forma interessante que pode ser usada para entender uma determinada sociedade é através dos herois que ela produz, pois o heroi é uma idealização produzida por um determinado individuo comum, que sofreu, obviamente, influências da sociedade em que vive, e ao criar o heroi acaba idealizando nele os poderes e as características que seriam as ideais para a sua sociedade, portanto a importância de se estudar os herois produzidos em diferentes épocas é a de conseguir determinar quais são as vontades e necessidades vividas por uma determinada sociedade, que acaba as expressando em seus herois, e a partir disso somos levados a crer que se nós conseguirmos identificar as necessidades de uma sociedade podemos então conhecer e solucionar seus problemas.

Logo para que nós possamos entender a sociedade de hoje, devemos olhar para trás e entender como se formaram os herois do passado, e qual heroi nós temos hoje, só assim poderemos compreender a atualidade. Portanto os herois escolhidos para fazerem parte dessa análise foram: Aquiles, Ulisses, Robin Hood, Superman e por fim, o grande inspirador deste texto, Capitão Nascimento.



Seria o Capitão Nascimento nosso Super-Homem?



Aquiles, heroi criado pelo poeta grego Homero ilustrava muito bem o pensamento daquele tempo, era um herói que apesar da força descomunal e na incrível habilidade em campo de batalha era um guerreiro que estava à mercê da vontade dos deuses. Pois antes de ir para a guerra de Tróia ele havia sido avisado que se ele fosse a profecia de que morreria jovem, porém seu nome seria eternamente gravado na história, iria se cumprir (fato este que ocorreu mais tarde), e esta ideia de que por mais forte que um homem possa ser, ele nunca poderá ser mais forte que a vontade dos deuses se encarna no fato de seu ponto fraco ser o calcanhar. Ou seja, a mensagem trazida por Aquiles era “Você pode ser forte, você pode até desafiar os reis. Mas você não pode de maneira alguma superar a vontade dos deuses”, e Aquiles simbolizava uma nação que tinha potencial para se desenvolver culturalmente, economicamente e politicamente, mas que ainda se via delimitada pelos mitos e por uma religião alienadora.

Ulisses, também criado por Homero, retrata um heroi um pouco mais desenvolvido, Pois este utilizava a inteligência do homem para superar os obstáculos, e só assim ele conseguiu superar a vontade dos deuses. Ao vencer a guerra de Tróia Ulisses grita para o mar, vangloriando-se de seus incríveis feitos e afirmando ser mais poderoso que os deuses e totalmente independente destes. Poseidon enfurece-se ao ouvir isso, e o amaldiçoa com o castigo de nunca mais poder retornar para o seu lar. Mas Ulisses não desiste e utiliza toda a sua astúcia para voltar para casa, e no caminho de volta ele inclusive é auxiliado pelo deus dos ventos, que afirma que está a ajudá-lo pelo fato dele ser o primeiro homem a usar a racionalidade para superar seus obstáculos. No fim da narrativa Ulisses consegue retornar para casa, contrariando assim as palavras do poderoso deus Poseidon simbolizando assim uma sociedade grega mais renomada, que já consegue se desprender das limitações impostas pelos mitos, e tudo isso através da racionalidade, da Filosofia e da Ciência.

Na Idade Média encontramos outro bom exemplo de herói, o jovem Robin Hood (conhecido como rei dos ladrões), que simbolizava um heroi rebelde, que roubava dos ricos para dar aos pobres. Sabe-se que Robin Hood surgiu apenas no final da Idade Média, e assim podemos identificar que a ideia de um herói plebeu e ladrão, porém justiceiro, simbolizava toda a fúria de uma sociedade feudal, que já estava ciente de que era oprimida e manipulada pelas classes “superiores”, e assim expressava no seu heroi ladrão toda sua sede por justiça.

O Superman é um heroi que num geral pode simbolizar o próprio Estados Unidos, pois se veste usando as cores da bandeira norte-americana, este surgiu no cenário de um Estados Unidos que havia acabado de se recuperar de uma crise mundial e que se encontrava a “todo vapor”, pronto para encarar uma Segunda Guerra Mundial e ainda por cima sair ganhando. Superman simboliza uma nação que se encontra em plena ascensão econômica e que se vangloria com a ideia de que é superpoderosa e que pode superar qualquer obstáculo. Podemos dizer que este tipo de heroi é perigoso para uma nação, pois uma nação que se ilude achando que está tudo bem, não tem capacidade de se autocriticar e conhecer seus próprios problemas, e ainda pode esconder em sua essência o germe de uma futura nação xenófoba.

Por fim, vamos nos voltar para a nossa própria realidade. A nação brasileira nunca antes havia criado um heroi para si com tanta popularidade, a ideia que alguns críticos tem de que o nosso primeiro heroi seria Macunaíma é furada, pois Macunaíma não representa nenhum ideal de homem, portanto não pode ser visto com heroi, Macunaíma simplesmente representa um povo consciente de sua condição multiculturalmente miscigenada. Capitão Nascimento é retratado em bonecos, e o “caveirão” até já virou carrinho, e o que é incrível, os dois simplesmente sumirão das prateleiras ao lá serem depositados. As nossas crianças brincam de ser Capitão Nascimento, e se batem no rosto exclamando “Pede pra sair!”.

Capitão Nascimento é um homem durão, sem meias-palavras, que se priva de sua vida particular para lutar contra o crime, ele não se importa em usar agressão física ou moral, tortura ou assassinatos para defender a sua sociedade, e o que me preocupa é fato dele ser aplaudido ao fazer essas barbaridades. Vemos logo que se trata de uma situação delicada, que deve ser examinada por olhares críticos. Capitão Nascimento simboliza uma nação inteira que tem ciência de sua condição de opressão, e a partir disso sente raiva dos políticos corruptos, dos traficantes e das milícias e ao mesmo tempo simboliza uma sociedade fraca e oprimida, que não consegue combater a violência e a corrupção com suas próprias mãos então acaba entregando nas mãos da polícia todas as suas esperanças (pode se dizer que a nação tem raiva das injustiças, mas preguiça ou pouca força para combatê-las, daí acaba implorando ajuda para a segurança), Capitão Nascimento ao tentar fazer justiça com as próprias mostra uma nação que não tem capacidade racional para argumentar a favor de seus direitos, ou pior, mostra uma nação que não recebeu educação para argumentar com os seus problemas e combatê-los de maneira racional e inteligente, revelando assim uma sociedade carente de educação.

Em suma percebe-se que o Brasil ao ter como heroi o Capitão Nascimento, se revela como uma nação totalmente enfurecida, oprimida, fraca e sem educação, uma nação que já não vê mais saída.

Espero que meu texto tenha aberto os olhos daqueles que o leram para esta situação. E antes de finalizar, gostaria de deixar uma pequena interrogação no ar “Por que esse nome Nascimento? Não seria mais apropriado ’Morte’? Ou isso é uma ironia?”.

sábado, 20 de novembro de 2010

Solidariedade é dever, não esmola

Presentear alguém é algo típico do natal, e isso faz as pessoas pensarem que solidariedade é um feito extraordinário. como uma qualidade, engana-se quem assim pensa. Pois já dizia o filósofo grego Epicteto “Eu sou uma parte de tudo, tal como a hora é uma parte do dia”, ou seja, nós fomos formados pela sociedade e fazemos parte dela, não há no mundo um ser humano que se formou sozinho. Portanto solidariedade não é algo como uma esmola ou um presente, ser solidário é de dever de todos, e a solidariedade deve ser exercida todos os dias do ano, em cada momento de nossas vidas, não importa a ocasião.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre números e seres humanos

Apesar dos números apresentarem dados que favoreçam a ideia de que o estado capitalista é mais desenvolvido, percebe-se que os números, apesar de exatos, são delimitados quando buscam compreender a realidade, isso ocorre porque os números só conseguem analisar a realidade concreta, sendo estes incapazes de compreender a realidade humana, que por característica própria é cheia de abstratismos, estes só perceptíveis através da análise da Filosofia e/ou das Ciências Humanas e Sociais.

Apesar dos números revelarem dados reais sobre determinada situação, eles são adquiridos a grosso modo e seus resultados são muito relativos, por exemplo, suponhamos que um determinado país capitalista possua um PIB gigantesco devido a uma indústria bem desenvolvida e uma economia bem estruturada, suponhamos também que este possua uma população relativamente pequena e um alto nível de desigualdade social e má distribuição de renda. Naturalmente que o fato de possuir grandes valores monetários e poucos valores populacionais contribuirá para uma alta considerável nos índices de renda per capita e IDH, ao mesmo passo que isso não significará que tal situação esteja realmente em concordância com a realidade prática.

E este fenômeno é bastante presente na sociedade capitalista contemporânea, que por possuir uma concepção positivista em relação à realidade acaba por supervalorizar os números em detrimento da realidade prática, e essa supervalorização dos dados numéricos mascara a verdadeira realidade do capitalismo, que é naturalmente exploratória e desigual. E quem se aproveita disso são os países capitalistas desenvolvidos, que através dos números passam a imagem ilusória de sucesso econômico e social.

Mas ainda é preferível uma nação “pobre”, porém justa do que uma que se vangloria de seus ganhos e lucros, mas que não passa de uma grande máquina de exploração que favorece uma pequena minoria. E por mais que os números possam medir os avanços eles não podem compreender a injustiça da exploração do trabalho através da mais-valia, eles não podem revelar como é injusto e desumano um sistema que tem como principal característica a exploração de uma classe social, que se rebaixa a um nível subumano e é explorada em prol da concentração de renda em uma classe social que, através da manipulação, se reafirma cada vez mais como dominante e exploratória.

Liberdade do primeiro ao último segundo de vida

O filósofo Jean-Paul Sartre afirmava que “O homem está condenado a ser livre”, e com certeza suas palavras estavam certas, afinal a liberdade está presente durante toda a nossa existência, desde as escolhas mais simples e fúteis às mais complexas e importantes. Por isso devemos sempre ter em mente que, apesar de ser impossível mudar o passado, é possível mudar o futuro, e esta mudança ocorre através das nossas escolhas, no pleno exercício da liberdade. A única coisa que não podemos mudar é a própria liberdade, que não importa o que aconteça, nos acompanha do primeiro ao último segundo de vida.

domingo, 10 de outubro de 2010

Palhaço político, ou Política palhaça?

O Brasil inteiro caiu na risada ao ver a campanha política do humorista Tiririca. O seu famoso slogan “Vote no Tiririca, pior que tá não fica”, arrancou risadas de todos, e agora que ele foi eleito, como o deputado federal mais votado, e segundo deputado federal mais votado da história de São Paulo, a justiça eleitoral, que permitiu que ele se candidatasse, agora quer impedir sua eleição com o argumento de que ele é analfabeto, e a situação se agrava mais ainda com a Mídia, que insiste em intitulá-lo, de maneira totalmente pejorativa, de palhaço. E toda essa situação me levou a formular inúmeras questões, “Como um humorista se elegeu?”, “Como permitiram que um humorista se candidatasse?”, “O que está acontecendo com a política no Brasil?”, “O que está acontecendo com o eleitor brasileiro?”, “A política ter permitido que esse humorista se candidatasse, e o povo ter permitido que esse humorista se elegesse é um sinal de que a política brasileira está se tornando uma palhaçada?”, enfim, devo confessar que encontrei respostas, e elas não foram nem um pouco agradáveis.

O QUE OCORREU?

O humorista Tiririca se candidatou a deputado federal. Durante a sua campanha todos riram da situação, achando que a candidatura não passava de mais uma piada do humorista, até aí a justiça eleitoral não fez nada, e nem sequer quis saber se ele era ou não analfabeto, afinal “Pra que impedir o humorista de fazer piadas? Ele está justamente deixando o povo mais distraído e alienado, e cá entre nós, é isso que queremos”, disseram os políticos demagogos. Quando o resultado das eleições foi concluído todos ficaram espantados com a eleição do humorista.

Desde então a Justiça Eleitoral está tentado provar que ele é analfabeto e não pode se eleger. E a mídia, máquina controlada pelo governo demagogo e manipulador, chama-o pejorativamente de palhaço. E cá entre nós, o Tiririca não é um palhaço, ele é um humorista, chamá-lo de palhaço é uma forma que a imprensa achou de chamá-lo de idiota, só que através de eufemismos.

PORQUE ISSO ESTÁ OCORRENDO?

Quando o humorista se candidatou o povo riu e os manipuladores comemoraram e se aproveitaram, afinal, ao invés de ver a política com olhos críticos, o povo agora via com humor, dava risada e se divertia. Mas agora que o Tiririca conseguiu se eleger, os manipuladores não gostaram, afinal, agora o povo vai começar a perguntar “Meu Deus! Como esse humorista conseguiu se eleger?”, e nós todos sabemos que os manipuladores não gostam de perguntas, críticas e nem questionamentos. E então, o que a Justiça eleitoral resolveu fazer? Está tentando provar que ele é analfabeto para tirá-lo da “jogada”.
E a mídia, eterna ferramenta usada pelos manipuladores para alienar a grande massa, está como sempre, bajulando o governo, e como ela faz isso? Se refere ao Tiririca com desdém, e o intitula pejorativamente de palhaço. E faz isso para tentar convencer o povo de que o palhaço é o Tiririca e não a política nem o próprio povo.

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A POLÍTICA BRASILEIRA?

Posso dizer sem dúvida que a política brasileira está ficando cada vez mais palhaça. Não porque ela está se apresentando em circos, mas sim porque ela está fazendo palhaçadas, bobeiras, e outras besteiras que são típicas das apresentações dos palhaços, a política no Brasil é tão precária que acha que democracia significa obrigar toda a população a votar, ou seja, o eleitor brasileiro é tão oprimido nessa pseudodemocracia que não tem nem a opção de ficar sem votar, sem escolher, sem opinar, ele é obrigado e escolher, nem que seja um corrupto, nem que seja um despreparado. A política no Brasil é tão despreparada que para se candidatar a única exigência é que o candidato seja alfabetizado, ou seja, para operar alguém um médico deve ter curso superior, para entrar num tribunal um advogado deve ter sido aprovado pela OAB, para entrar numa sala de aula e receber um salário miserável, o professor deve ter curso superior, para conseguir um emprego decente o empregado deve ter no mínimo o ensino médio concluído, já para administrar o bem público, representar a sociedade (e ter o direito de roubar toda a nação sem ser punido) basta saber o b-a-ba. A única diferença entre as palhaçadas da política no Brasil e as palhaçadas de um palhaço, é que o palhaço me faz rir, enquanto que a política no Brasil me faz chorar. Em suma, percebe-se que a política no Brasil é uma “Política Palhaça”, só que não está cumprindo com o seu papel de fazer as pessoas rirem, ou seja, a política no Brasil não só é palhaça, como é uma péssima palhaça, que faz palhaçadas que não tem a menor graça.

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM O POVO BRASILEIRO?

O povo brasileiro odeia política porque não sabe o que ela é . Simplesmente porque a disciplina que deveria ensinar o que é política, a Filosofia, é pouco incentivada no meio escolar, e muitos dos professores que a ensinam não tem a mínima competência para tal. Onde então o brasileiro tem que buscar por uma definição de política? No senso comum, no conhecimento popular, através dos meio empíricos. Mas como que a política se mostra para o senso comum do brasileiro? Como uma coisa extremamente chata. Ela se mostra como um milhão de siglas iniciadas com P que no fundo não fazem o menor sentido, ela se mostra como musiquinhas chatas e irritantes, que durante o período das campanhas são repetidas mil vezes ao longo do dia, infernizando assim a vida de todos aqueles que a escutam, ela se mostra como um milhão de rostos sorridentes que durante o período das campanhas saem pelas ruas abraçando e beijando a todos, mas que depois de eleitos somem do Universo, ela se mostra como um milhão de casos de corruptos, que através de provas plausíveis são revelados como corruptos, mas que no fim das contas acabam por não receber punição alguma, ela se mostra como algo complicado quando alguém tenta entendê-la. Enfim, ela se mostra como algo a ser evitado, enquanto que o futebol, esse não, esse está cada vez mais legal, cada vez o brasileiro alienado e acomodado se apaixona mais por esse esporte, onde durante duas horas aproximadamente 22 homens ficam correndo atrás de uma bola, e no fim das contas, esse esporte não mudou em nada a vida daqueles que o assistiram.
Isso faz com que o brasileiro não veja importância na política, e não reconheça a importância do seu voto, e no fim das contas acaba votando em qualquer um, as conseqüências disso acho que não preciso nem falar, não é mesmo?

COMO O TIRIRICA CONSEGUIU SE CANDIDATAR E SE ELEGER?

Para se candidatar não foi difícil, como vocês sabem, para se candidatar basta ser alfabetizado, já como o Tiririca conseguiu se eleger, isso já é tema para reflexão.

Algumas frases que o tiririca utilizou durante sua campanha política: “Vote no Tiririca, pior que tá não fica”, “Vote em mim seu abestado!”, “Vote no abestado”, “Se você não votar em mim eu vou morrer!”, “Ô candidato lindo!”, “O que faz um deputado federal? Na realidade eu não sei, mas vote em mim que eu te conto”, e em uma entrevista o entrevistador perguntou para o Tiririca se ele achava que a política é uma piada, e ele respondeu da seguinte maneira “É, pra mim é!”.

Vamos analisar essas frases: “Vote no Tiririca, pior que tá não fica”, as vezes eu acho que o povo brasileiro votou no Tiririca porque sabe que as coisas estão indo de mal a pior, logo um candidato que promete que pelo menos as coisas não vão piorar já merece um certo destaque. “Vote em mim seu abestado!”, “Vote no abestado”, dessa forma o candidato chama não só o povo brasileiro de ignorante, mas a si mesmo, e é nessas horas que eu acho que ele conquistou o eleitor através de sua honestidade, afinal, muitos candidatos se julgam inteligentes e bem preparados e outros afirmam “Eu confio na sua inteligência e peço o seu voto”, já o Tiririca não, este foi honesto, falou a verdade, se admitiu como tolo e reconheceu que a grande massa brasileira também o é. “Se você não votar em mim eu vou morrer!”, nessas horas o candidato conseguiu o seu voto através da ameaça e do medo, afinal, a população brasileira já adotou um certo carisma por esse personagem tão engraçado que já nos fez rir tantas vezes, logo com medo de perder essa figura do cenário humorístico, a população não resistiu e votou nele. “Ô candidato lindo!”, essa não tem comentários, mas me fez rir bastante. “O que faz um deputado federal? Na realidade eu não sei, mas vote em mim que eu te conto”, nessa situação o eleitor foi conquistado através da curiosidade, ou seja, ninguém sabia o que faz um deputado federal, então na esperança de que o Tiririca pudesse saber o que faz um inútil desses e contar através de piadas nas suas apresentações humorísticas, acabou votando nele para ver o resultado.

Enfim, chega de comentários irônicos e sarcásticos. O que ocorreu foi muito simples. O povo brasileiro definitivamente não sabe o que é política, e como não sabe o que é política, naturalmente que não reconhece nem a importância desta, nem a do seu voto. Então votou no Tiririca por pura despreocupação, votou no Tiririca porque achou que ninguém mais ia votar, então votou só para dar umas boas risadas, votou porque queria ver a foto dele na urna eletrônica para dar umas risadas, enfim eis o mais genuíno motivo, pura despreocupação.

O QUE FAZER PARA MUDAR ESSA SITUAÇÃO?

Acima de tudo eu gostaria que o mundo inteiro visse o que aconteceu com o Brasil, e como que o povo brasileiro conseguiu eleger um candidato que visivelmente não sabe nada de política e inclusive nem se sabe se ele sequer sabe ler e escrever, e assim, quem sabe alguma ONG internacional preocupada com a conscientização política acabe voltando sua atenção para o Brasil. E eu acho que deveríamos tomar a eleição do Tiririca como um alerta, que mostra como a política no Brasil é precária e despreparada e como que o povo brasileiro está alienado e acomodado, e acima de tudo inconsciente.

Mas para mudar mesmo essa situação, só através de uma reorganização e reestruturação da política brasileira, e acima de tudo, através de uma educação para política, através de pesados incentivos na educação, e principalmente naquelas disciplina que ensinam o que é política e ética, a Filosofia, a Sociologia e a História.

SE EU SOU CONTRA A ELEIÇÃO DO TIRIRICA?

Naturalmente que sou, aliás na minha opinião só deveria se candidatar aquele que possui diploma de nível superior em áreas que lidam com política e ética, como Filosofia, Sociologia, História, Ciências Políticas e etc. Afinal, é necessário um diploma de nível superior para fazer uma cirurgia, para entrar num tribunal, para lecionar, porque então que para administrar o bem público, criar as leis, e representar sociedade tem só que saber o b-a-ba?

Mas nesse caso do Tiririca eu sou a favor de que ele entre para a política, para mostrar para o povo brasileiro como a situação está precária, e quem sabe assim, o povo não acabe se reunindo para exigir um pouquinho mais de seriedade dessa nossa política palhaça.

sábado, 9 de outubro de 2010

Saber é poder

Não se pode saber sem se saber o que é o saber
Não se pode ser humano sem se saber o que é o ser humano
Não se pode ter vida sem se saber o que é a vida
Não se pode amar sem se saber o que é o amor
Não se pode sentir sem se saber o que é um sentimento, ou uma sensação
Não se pode ser feliz sem se saber o que é felicidade
Não se pode fazer o bem se saber o que é o bem
Não se pode ser
Não se pode ter
Não se pode fazer
Sem o saber
Mas acima de tudo não se pode saber sem pensar
E não se pode pensar sem antes aprender
E a única forma de aprender a pensar é através da Filosofia
E nas palavras de Kant “Não se ensina Filosofia, se ensina a filosofar”
Filosofando você aprende a pensar
Pensando você adquire o saber
E sabendo você pode
Ser humano
Ter vida
Amar
Sentir
Ser feliz
E fazer o bem
A Filosofia pode tudo, porque tudo depende da Filosofia.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Perdoar é essencial

21 de agosto é o dia do perdão, e o filósofo inglês Francis Bacon tem um ótimo pensamento sobre esse tema “Aquele que não consegue perdoar aos outros, destrói a ponte por onde irá passar", ou seja, em nossas vidas para realizar os nossos sonhos temos que percorrer vários caminhos, e é impossível fazer isso sem que se torne necessário , em certo momento, a ajuda de alguém. Aquela pessoa que não consegue perdoar, vai se afastando dos outros, delimitando seus caminhos e corre o sério risco de morrer sem realizar seus sonhos. Conclui-se que perdoar é uma das coisas essências na busca da felicidade.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Manifesto contra a globalização

A cultura é algo que está aglutinado à ideia de humanidade pois ela é a marca da diversidade que pode ser observada em todas as diferentes civilizações do mundo. E na atualidade, o processo de globalização, surgido desta nossa inescrupulosa sociedade capitalista neoliberal, se mostra como um fator capaz de destruir essa diversidade cultural, e fazer nascer o preconceito e a intolerância diante do diferente. Logo se faz necessário a implantação de uma educação renovada para que o ser humano possa compreender a unidade universal da raça humana, e os seus respectivos direitos à igualdade de oportunidades e diversidade cultural.

A cultura surge como uma criação da capacidade expressiva que o ser humano possui intrincada dentro do seu ser, e quando o ser humano vive numa sociedade essa criação da sua capacidade expressiva vai se repetindo ao longo das gerações, e se tornando cada vez mais tradicional e incrementada, logo, chega um determinado momento, que ocorre quando este grupo passa a viver isolado de outras civilizações, em que estes pensamentos foram tão repetidos ao longo do tempo, que as narrações, os costumes, os conceitos estéticos, a religião e todos os outros fatores culturais, passam a ser assimilados como se fossem verdades universais.

E quando este grupo passa a conhecer outro grupo, com uma cultura diferente, ele se depara diante de um choque cultural incrível, e desse choque incrível pode surgir tanto a síntese cultural (o que é bom até certo ponto), como a desistência de sua própria cultura por parte de um dos grupos (o que é pouco provável e péssimo), como pode ocorrer a simultânea negação da diversidade cultural por parte dos dois grupos (o que também é péssimo). E dessa negação surge o preconceito do qual pode surgir o racismo, que é uma das maneiras mais cruéis de preconceito.

E o preconceito é algo totalmente desumano, porque ele pode causar exploração de povos (cito como exemplo a escravidão dos negros), exclusão social (a situação dos índios e dos negros no Brasil, e dos estrangeiros no Japão), guerras (Cruzadas), e vários outros males que só fazem com que a ideia de união da raça humana vá se desgastando aos poucos.

E na atualidade, a globalização gerada pelas tendências capitalistas neoliberais se mostra como um fator desumano. Porque ela vai criando uma cultura de massa que vai se espalhando ao redor do globo, contaminando a todos e tentando fazer com que todos acreditem nas mesmas coisas, e tenham os mesmos costumes, crenças e opiniões. Isso é um absurdo, porque ela não cria no ser humano a consciência de unidade sobre a raça humana, ela cria no ser humano a ideia de que uma certa cultura é superior as outras, e que esta cultura é que deve ser difundida. Mas isso é uma ilusão, porque todo ser humano é diferente em características e igual em valor, logo, negar essa diferença admitindo a superioridade de uma certa cultura, é negar a essência que o ser humano tem, de diversidade cultural, porém, igualdade de valor.

Se o processo de globalização continuar crescendo, chegará um certo momento em que uma pequena maioria da humanidade irá crer piamente que existe uma certa cultura supostamente superior, e todas as outras culturas vão sofrer, pois serão hostilizadas, sofrerão preconceito e irão, aos poucos, sendo marginalizadas e excluídas da humanidade, E a “cultura única” que irá sobrar, não passará de um enorme povo vazio, pois não terá ideia de seus valores culturais e históricos, e os governos absolutistas e demagogos terão uma enorme facilidade para manipular a mente de um povo alienado numa mesma cultura de massa. Ou seja, se o processo de globalização continuar se desenvolvendo, o que sobrará será um povo inteiro alienado e manipulado, e os poucos que não compartilharem de tal visão, serão marginalizados, e consequentemente, excluídos da sociedade.

E ao perceber tudo isso, eu proponho algo que está se tornando cada vez mais necessário no decorrer do tempo, uma educação à tolerância do diferente. Pois hoje em dia qualquer ser humano sabe que o mundo é redondo e que existem culturas totalmente diferentes ao redor deste. Logo chegará um determinado momento na história da humanidade onde nós teremos de conviver ao lado de pessoas com costumes, crenças e opiniões totalmente diferentes das nossas. Mas o que fazer quando esse dia chegar? Tentar convencer o outro das nossas verdades? Gerar guerras? Exclusão social? É claro que não, teremos que deixar os preconceitos de lado e aprender a conviver juntos.

E a única maneira de mostrar à humanidade que não existem culturas superiores, que somos todos iguais em direitos e capacidade, porém diferentes em características, é fazer com que todo ser humano aprenda a respeitar e amar o próximo, independentemente de sua “raça”, religião, cultura, classe social ou opção sexual. Pois a humanidade é uma só, e é só através da união que nós poderemos cooperar um com o outro criando assim uma sociedade mais justa e igualitária, que dá oportunidades iguais à todos, para que todos tenham a chance de realizar seus sonhos. E essa união só será alcançada quando a humanidade reconhecer a sua própria essência, o que ocorrerá só quando houver educação para isso.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Organização do entendimento humano

INTRODUÇÃO

Ultimamente venho assistindo com certo pesar os conflitos entre os meios que o ser humano usa para entender o mundo e a si mesmo. Os mais conhecidos são os embates entre a Ciência e a Religião, e a Filosofia e a Ciência. E foi esse pesar que eu usei como motivo para iniciar um processo de reflexão filosófica acerca do tema. Inicialmente muitas perguntas me assolaram: “Quem está certo?”, “Alguém está certo?”. E assim a minha reflexão filosófica se iniciara, e após muito pensar eu percebi que esses conflitos são simplesmente patéticos, e os representantes das ideias que defendem um ou outro lado deveriam se envergonhar e reconhecer que estão perdendo tempo com discussões que não chegam a lugar algum.

E o que me levou a crer que tais discussões seriam patéticas, foi o fato de ter percebido, após longos momentos de reflexão, que as áreas da Religião, da Ciência, da Filosofia e da Arte, são totalmente incompatíveis e desconexas, logo é impossível um debate sério entre Fé e Racionalidade, por exemplo, pois são áreas totalmente diferentes. Tal discussão poderia ser comparada a dois homens discutindo, o primeiro homem exclama “O fogo é quente!” e o segundo homem refuta “Não, a água é que é úmida”, e assim permanecem sem nunca chegar a uma conclusão plausível.

O exemplo mais concreto de minha argumentação pode ser a discussão sobre a criação do homem. A Ciência defende a teoria evolucionista, segundo a qual teria sido o homem uma evolução de antigas espécies, já a Igreja Católica defende a teoria criacionista, segundo a qual o homem teria sido criado por um deus, só que nós devemos entender que esses “tipos” de criação diferem quanto ao objetivo. A teoria evolucionista, proposta pela Ciência, busca explicar como o homem surgiu, mas de maneira material e física, já a teoria Criacionista busca fundamentar sobre como o homem teria surgido como um ser moral, cultural e religioso.

Pois quando se lê o livro do Gênesis deve-se ter em mente que os antigos ancestrais hebraicos e os autores da Bíblia Sagrada não tinham sequer a mínima intenção de explicar como teria surgido o homem de maneira física, biológica e científica. Eles buscavam elaborar e narrar sobre como teria surgido o homem, mas de uma maneira a formar uma base para a criação de valores morais, culturais, espirituais e religiosos. Não devemos nos esquecer que os elementos bíblicos não passam de um monte de figurações simbólicas representativas que servem para repassar certo valor moral, por exemplo, o fato de Deus ter descansado no sétimo dia da Criação é uma maneira de dizer que “Não importa o que você esteja fazendo, todo ser humano merece um momento de descanso” e de certa forma procura representar a atitude neutra de Deus perante a humanidade, dando assim ao homem, a oportunidade de poder escolher seu destino, algo do tipo “Agora estou descansando, faça o que achar melhor”.

O exemplo recém citado é só uma das mil interpretações que a Bíblia Sagrada possui, assim como qualquer livro de qualquer religião. Já quando se lê o livro “A Evolução das Espécies” de Charles Darwin, devemos ter em mente que ele não pretendia dar explicações sobre os valores morais do homem, ele só queria saber como que um ser gerou outro e assim por diante, de modo a poder ter mais entendimento sobre os fenômenos da natureza.

O outro embate famoso que citei foi o da Ciência com a Filosofia. Sendo que ultimamente a Ciência anda evoluindo a passos largos, várias vezes nos vemos questionando a utilidade da Filosofia. Mas devemos nos lembrar então que a Ciência busca explicar a realidade e conhecer os constantes fenômenos que ocorrem na natureza, já a Filosofia busca compreender a realidade e conhecer a causa e a finalidade das coisas. Por exemplo, um cientista pode explicar como surgiu o Universo (Big Bang é a teoria mais aceita na atualidade), mas se perguntarmos a este mesmo cientista “Porque existe o Universo?” ou “Qual a essência do Universo?”, daí provavelmente ele titubeará sem palavras, e te dará o nome de um bom livro de Filosofia para ler.

E foram essas diferenças que me levaram a organizar o entendimento humano em “áreas de entendimento”, para que então o ser humano pudesse saber até onde vai certo método de entendimento, e para que só assim essas áreas pudessem parar de entrar em conflito e começassem a cooperar entre si para aumentar o entendimento que a humanidade tem sobre o mundo e sobre si mesma.

AS ÁREAS DO ENTENDIMENTO HUMANO

A primeira área eu defino como a “ÁREA EXPLICÁVEL”. Esta é a área que o ser humano pode tocar, ver, analisar, estudar, descrever com palavras e medir através de fórmulas que lhe dão números perfeitos e estatísticas exatas, o ser humano busca entender essa área através de sua mente e de sua racionalidade. Esta área estuda o mundo em que o homem vive de maneira física, e busca obter conhecimento sobre os constantes fenômenos que ocorrem no mundo, para que então o homem possa usar esse conhecimento no intuito de tornar a sua vida mais confortável. Esta área também pode ser chamada de área científica, pois é a Ciência a responsável por tal área.

A segunda área eu chamo de “ÁREA COMPREENSÍVEL”. Esta é a área que o homem usa para conhecer a causa, as conseqüências, o significado, a essência e a finalidade das coisas. Esta área não compartilha da mesma exatidão da primeira área, pois ela não trata de coisas observáveis e palpáveis, e talvez por causa disso ela não compartilhe do prestígio da primeira. Esta área busca pelo conhecimento em absolutamente tudo, e é esta área que está sendo usada agora para que seja elaborado esse estudo que você está lendo neste momento. E é somente esta área que pode conhecer as outras sem se tornar intrusiva.Esta área também pode ser chamada de área filosófica, polis é a Filosofia a responsável por tal área.

A terceira área pode ser citada como “ÁREA SENSÍVEL”. Esta é a área pela qual o ser humano expressa seus sentimentos. Esta área é uma maneira do ser humano identificar-se a si mesmo e o mundo que o cerca, mas através dos sentimentos, das emoções e das percepções sensoriais. Esta área pode se expressar por meio de várias maneiras, e muitas vezes ao se estudar as criações desta área você pode perceber o sentimento e as ideias que um artista ou uma sociedade tinham no momento de suas respectivas criações, como você já percebeu, esta área também pode ser chamada de área artística, porque é a Arte que se faz responsável por desbravar esta área do entendimento.

A última área pode ser nomeada de “ÁREA IMPREVISÍVEL”, esta é a área pela qual o ser humano busca entender aquilo que não pode ser previsto nem analisado. Devemos ter em mente que no percorrer da vida humana surgem várias perguntas, que vão sendo respondidas, porém há certas perguntas que permanecem para sempre sem respostas definitivas, e estas perguntas não são só simples perguntas, elas são mistérios universais, como por exemplo “O que acontece depois da morte” (como ninguém pode voltar à vida, logo é impossível responder essa pergunta) ou “Um dia a Terra vai acabar? Se vai, quando?” (como ninguém pode prever o futuro esta pergunta também fica sem respostas). Só que devemos observar algo que é instigante, o ser humano possui uma sede incrível de conhecimento, logo ele não poderia deixar tais perguntas sem respostas, seria um insulto à sua inteligência. Então como ele não pode prever, ele especula possíveis acontecimentos, e esses acontecimentos são narrados pela religião, que surge como um fator cultural de um certo povo. E é por esses fatores que esta área também pode ser chamada de área religiosa.

CONCLUSÃO

Numa análise mais minuciosa, veremos que cada área busca entender a realidade através de um método distinto, são estes respectivamente: a explicação, a compreensão, a percepção e a especulação. E cada uma dessas áreas exige uma certa qualidade do ser humano, a área explicativa exige estudo do físico, a área compreensiva exige pensamento e reflexão, a área sensível exige sentimentos e experiências e a área imprevisível exige fé. E podemos dividir estas áreas da seguinte maneira, as que fazem uso da racionalidade (explicativa e compreensiva) e as que fazem uso dos sentimentos, das experiências e das percepções sensoriais (sensível e imprevisível).

Ao fim desse estudo somos levados a concluir que diante de um mundo tão diversificado e com tantos métodos para seu entendimento, é impossível assumir uma visão reducionista da realidade, admitindo só um meio como o único possível para se achar as verdades existentes no Universo. É como se cada conhecimento verdadeiro sobre a realidade estivesse escondido em um lugar diferente, portanto, nada mais aceitável do que ter de tomar caminhos diferentes para poder alcançá-los. Em suma, observa-se que o ser humano, o mundo, a vida e a realidade possuem várias facetas, que se tecem eternamente num conjunto complexo, onde cada partícula faz parte de um todo maior ao qual está ligado, e que para se ter conhecimento sobre todo esse conjunto complexo é necessário que as áreas do entendimento humano passem a entender os seus respectivos fins, objetivos e utilidades, para que só então elas possam cooperar entre si simultaneamente, e assim façam com que a cada dia o ser humano passe a obter mais conhecimento sobre si e sobre aquilo que o cerca.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Análise crítica da música "Metamorfose Ambulante" de Raul Seixas

Se fizermos uma comparação entre a História da Filosofia e do pensamento ocidental e a música Metamorfose Ambulante, veremos que estes dois compartilham de um grande número de semelhanças. Mas se analisarmos a música de uma maneira mais crítica veremos que ela não retrata fielmente o teor da Filosofia, como dito por outros até então. Do contrário, ela descreve e faz apologia ao relativismo, que é hoje em dia um grande problema daqueles que estão começando a entrar no mundo da Filosofia.

Se analisarmos os seguintes trechos da música veremos que acusar ela de apologia ao relativismo é algo lógico e fundamentado em argumentos sólidos:

“Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”

Neste trecho fica bem claro a intenção do autor, que afirma que prefere o relativismo ao dogmatismo.

“Eu quero dizer
Agora o oposto do que eu disse antes”

Revela a sua vontade de se autocontradizer constantemente, e obter assim, eternamente, um posicionamento pouco firme perante as coisas e as ideias.

“Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou”

Afirma não possuir domínio sobre o seu próprio ser, mudando constantemente de essência, uma hora é “estrela”, noutra “já se apagou”.

“Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor”

E ele não só muda de essência como muda de sentimento em relação às coisas, uma hora odeia, noutra ama.

“Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator”

Pode possuir várias opiniões simultâneas, apesar de contraditórias, sobre uma mesma coisa, e ainda assim fingir ser outra coisa e ter outra opinião, ou seja, um ator.

“É chato chegar
A um objetivo num instante”

Nega ao conhecimento “pronto”, característico do dogmatismo e do senso comum.

“Eu vou desdizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes”

E por incrível que pareça, no fim da música ele ainda afirma que vai desdizer aquilo tudo que disse antes, ou seja, a própria música é uma “metamorfose ambulante”, e apesar de todas as informações que já foram dadas segue se modificando eterna e constantemente.

Outro fato para o qual devemos ficar atentos é o próprio nome da música "Metamorfose Ambulante". Metamorfose é algo que constantemente muda de forma ou de estrutura e ambulante é algo que perambula sem se fixar em lugar algum, Metamorfose é diferente da evolução, que muda de forma para alcançar uma estrutura melhor e mais bem desenvolvida, e ambulante é diferente de viajante, porque viajante é aquele que mude de lugar para alcançar um outro lugar, no caso, o seu respectivo destino. Ou seja, se a música quisesse mesmo caracterizar a Filosofia o nome provavelmente seria “Desenvolvimento constante” ou “Busca incessante” e por aí vai. Mas a música simplesmente prefere mudar de forma e de lugar sem se preocupar com melhorias, em suma, uma visível apologia ao relativismo.

Se compararmos a música com a História da Filosofia, veremos que as duas se encaixam no sentido que a Filosofia também mudou, ao longo dos seus vinte e sete séculos de história, de estrutura (Já lutou contra os mitos, Já serviu à Igreja e já foi profana) e de lugar (já esteve na Grécia, na Itália, na França, na Inglaterra e na Alemanha, e hoje está por toda a parte), portanto até aí a comparação é justa.

Mas se compararmos a música à Filosofia de hoje, veremos que ela trata do problema do relativismo, que hoje é um problema que afeta um grande número de pessoas que estão começando na Filosofia. E tratar a Filosofia como algo relativo é negar toda a veracidade das suas afirmações. Se todos começarmos a achar que a Filosofia não tem um método sistematizado de pesquisa, que não busca um conhecimento verdadeiro e real, se acharmos que ela varia banalmente de pessoa para pessoa e de época para época e de lugar para lugar, e se começarmos a crer que cada realidade tem a sua verdade, daí nós estaremos afirmando que todo o trabalho que os Filósofos tiveram até agora para tentar compreender a realidade não passa de uma dada quantia de afirmações fundamentadas em achismos, e então nós estaremos tomando um posicionamento de total preguiça, desleixo, e desinteresse perante o conhecimento verdadeiro e uno. E quando a crença no conhecimento verdadeiro morre , morrerá junto o interesse em buscá-lo, e no fim das contas só sobrará um dogma, o do relativismo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Juventude vazia

Falar da juventude é de certa forma falar de um futuro próximo, pois em breve os jovens de hoje se tornarão os adultos de amanhã que vão atuar na sociedade modificando-a e desenvolvendo-a, e a partir de tais afirmações é impossível não fazer a seguinte questão “Observando os jovens de hoje em dia, o que podemos afirmar sobre o futuro da nossa sociedade?”

Enfim, saindo um pouco da questão recém feita, vamos procurar por algumas premissas básicas para darmos continuidade ao tema de forma lógica. A juventude tem características muito peculiares, as principais que se pode citar seriam: O dinamismo; a força de vontade de lutar pelo que quer; e a necessidade de atenção e de reconhecimento social.

Agora vamos às comparações. O que queriam os jovens das décadas de 60, 70, 80 e 90? Liberdade! Ou seja, eram tempos difíceis aqueles em que a ditadura governava, mandava e desmandava. A democracia andava esquecida de lado, e não se tinha o “celularzinho”, o “gamezinho”, o “orkutizinho” e etc. O que sobrava era apenas um sonho, um sonho de uma sociedade mais justa livre e igualitária, mas como alcançar esse sonho? Com protestos, luta, e muito engajamento político e social. Isso resultou numa juventude ativa, que se mantinha informada para poder saber como andava o mundo e como tentar modificá-lo, e assim a juventude se tornou ativa nas “Diretas já!” e no movimento das caras pintadas, e dessa forma conseguiram se reunir para lutar pela democracia no país e pela destituição de um governante corrupto, em suma, observa-se que a juventude quando unida tem muita força.

Hoje nem o jovem nem o mundo mudaram muito. O mundo está como sempre, uma droga nas mãos do capitalismo, governantes corruptos, aquecimento global, drogas, violência, fome, sede, miséria, AIDS, câncer e etc. Enfim, mil assuntos que seriam mais bem tratados se a juventude se unisse e fosse às ruas protestar. E a juventude também não mudou muito, eles continuam lutando pelo que querem, mas o que eles querem hoje em dia? O celular, o livre acesso a Internet e a redes sociais, o game do lançamento, a roupa da moda, o CD da banda da moda e por aí vai. Ou seja, a política neoliberal e capitalista conseguiu não só domar a juventude, mas domesticá-la. Antes o jovem queria mudar “O Mundo” hoje ele quer mudar “só o seu respectivo mundinho”, antes a juventude queria o direito ao voto, hoje o jovem nem sequer sabe a utilidade dele, e a única luta que se vê um jovem fazendo é a de tentar persuadir o pai a lhe dar o tão desejado celular, Internet, CD da moda e etc...

Outra semelhança, é que o jovem de todos os tempos gosta de chamar a atenção, só que antigamente o chamar a atenção significava sair às ruas com movimentos sociais que resultassem numa alteração da realidade. Hoje chamar a atenção é se vestir com cores espalhafatosas, pentear o cabelo de forma chamativa, é ter o celular, o tênis e as roupas da moda, é ter uma conta numa rede social com vários contatos e com a intimidade toda revelada e à mostra para quem quiser ver.

E tudo isso se reflete na música, pois como diria Beverly Sills “A arte é a assinatura da civilização”. Nos anos 80 e 90 (época em que a militância juvenil alcançou seu auge) os músicos, em geral, tinham uma aparência que inspirava um certo desleixo perante a vaidade, e as letras das músicas remetiam à rebeldia e contestações políticas. Hoje a coisa mudou um pouco de sentido, a vaidade e o superficialismo são incrivelmente visíveis nas bandas do dito “happy rock” (que na minha opinião, de rock não tem nem um fio de cabelo, aquilo está mais próximo é de uma espécie de “color pop” ou seja lá o que for). A juventude de hoje parece que criou um “mundinho colorido” para o qual foge, para se esconder da realidade e ir de encontro ao senso comum e ao consumismo exacerbado. As letras das músicas de hoje em dia só sabem falar de amor e outras coisas de sentido subjetivo e individualista, sem sequer chegar perto de assuntos que tenham qualquer envolvimento com política, ética ou a triste situação da nossa sociedade.

Outra coisa que foi modificada é a composição instrumental das músicas, antes o guitarrista precisava de uma mão ágil e de muita inspiração para executar um solo bem elaborado, o baterista tinha que ter um braço forte, boa coordenação e musicalidade para criar um ritmo envolvente. Hoje não! A preguiça de se fazer uma música elaborada, complexa e com competência é tão grande que as músicas não passam de um fundo musical incrementado com uma boa dose de som eletrônico, ou seja, falta habilidade, mas sobra tecnologia para substituí-la, infelizmente.

Enfim, após tantas evidências de uma juventude que foi domesticada pelo capitalismo e pelo consumismo nos remetemos à questão proposta no início do texto, e aqui vai a resposta: Se a situação permanecer tal como está teremos um futuro consumista, superficial e com um número enorme de adultos que não vão se importar com a realidade, vão se importar apenas com o seu status social, e serão todos dotados de uma mentalidade tão pobre de senso crítico e tão abundante em alienação e massificação que os governos e os aristocratas não terão muita dificuldade em manipulá-los.

Mas não adianta só criticar, tem que apresentar propostas de soluções, e a minha proposta é essa: Uma geração jovem tão alienada e massificada só pode ter sido criada por uma sociedade capitalista e consumista, e que pouco investe em educação, esta geração está perdida, em relação a ela não há mais nada o que fazer. Mas para que as gerações futuras não se percam serão necessários pesados investimentos em educação e uma sociedade comunista deverá surgir, e só assim o povo será educado a pensar em si sem superficialidade e como uma sociedade una.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sobre a ilusão televisiva

O fato de a TV ter contribuído significativamente para a distribuição de informação, conhecimento e cultura é louvável, mas devemos no mínimo criticar e analisar ao fundo esta questão, para que possamos compreender os reais motivos e causas que antecedem a isso. Se esta análise ocorrer perceberemos que a TV possui dois lados: O ruim, e o que parece ser bom.

A distribuição de informação e conhecimento alcançou, após o surgimento da TV e dos meios de comunicação em massa em geral, patamares nunca antes observados, nunca antes uma informação chegou a todos os cantos do mundo em tamanha velocidade, em um piscar de olhos nós recebemos notícias que acabaram de acontecer no mundo todo, nunca antes tantas pessoas tiveram tanto acesso a tantas informações em tempo real, isso parece ser bom, mas em mãos erradas pode ser uma arma letal. O que ocorre é que com um governo capitalista e demagogo, e com um empresário inescrupuloso no controle da divulgação de informações, a situação muda, e o que deveria servir para tornar um povo consciente e bem informado acaba por tornar o povo mais alienado e manipulável, pois a notícia acaba sendo modificada para que se mostre o que o empresário quer mostrar, e para que crie a opinião que o político quer criar, e diante de tal situação a informação acaba virando um produto de venda e de manipulação.

Outro ponto dualista da TV é a cultura, percebe-se que, por exemplo, a mesma novela que é exibida no norte é exibida no sul, e com isso a TV dá início a um processo de simplificação e unificação da cultura, isso pode ser bom no sentido de auxiliar a aumentar a união cultural de uma nação, mas pode ser ruim no sentido de estar destruindo a diversidade cultural e a tradição, e não devemos esquecer que um povo com uma mesma mentalidade é mais fácil de ser manipulado. Não é mesmo?

E quanto à alegação de que ela é uma ótima companhia para os doentes, para os solitários e outros, sem dúvida o é, mas não passa de uma miragem no deserto que conforta teus olhos mas não salva tua vida, enquanto nós estamos inertes e parados em frente a TV, bilhões de pessoas no mundo sentem sede, morrem de fome, de câncer ou de AIDS. Enquanto uma pessoa está assistindo a TV ela está desperdiçando a chance de ter uma boa leitura (que sem dúvida é melhor que o aparelhinho quadrado), ou de pelo menos se entregar ao ato reflexivo filosófico.

Sempre que o assunto é TV, vem logo à minha mente o Antigo Império Romano, pois os dois assuntos são muito semelhantes. Perceba que no Antigo Império Romano o governo começou a se assustar quando percebeu que em suas mãos se iniciaria uma grande revolta popular, talvez até uma guerra civil. O que ele fez? tratou de gritar para o povo “Ei! Vocês aí! que tal construírem um local para diversão, uma lugar para que vocês relaxem enquanto nós lhes entregamos pão de graça”, começava aí a política do pão e circo, e o próprio povo romano foi o que construiu as arenas, tal situação não é muito diferente dos dias de hoje, só que ao invés de arena temos a “novelinha” e o “futebolzinho”, ao invés do pão de graça temos o bolsa família e outros benefícios, e ao invés de construir arenas nós trabalhamos o dia inteiro pra pagar as parcelas da TV.

Gostaria de encerrar o presente texto com as seguintes perguntas “E se ao invés de passar tanto tempo em frente à TV as pessoas refletissem sobre suas vidas e a sociedade? ou filosofassem? como seria o mundo? A realidade? Como seria a vida das pessoas?”. E se quiseres saber as respostas para estas indagações, desligue a TV e pense um pouquinho.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Filósofo deve ajudar a ver a luz

O conhecimento filosófico se diferencia dos outros tipos de conhecimento pela profundidade que ele alcança.

Com a modernidade o pensamento positivo foi se tornando cada vez mais habitual e a famosa expressão "comprovado cientificamente" foi ganhando cada vez mais credibilidade, isso resultou naquela famosa expressão muito conhecida dos céticos "eu só acredito no que os meus olhos podem ver", ou seja, tanto a mentalidade positivista quanto a cultura capitalista que visa o observável, o palpável e o lucrativo foram gerando nas pessoas uma mentalidade do querer o rápido e o visível, do "já ou agora". Mas tal pensamento é muito frágil, por exemplo, sempre que alguém me diz tal frase, eu faço uma pergunta desconcertante "Então você não acredita na existência de raízes de árvores?", e é claro que a pessoa fica extremamente surpreendida com a minha pergunta, mas mesmo assim eu prossigo, "Porque é óbvio que quando você olha para uma árvore você não vê a sua raiz, mas é justamente esta que lhe dá sustentação e lhe fornece nutrientes para que ela viva", ou seja, a ciência busca conhecer o observável, e a filosofia o real sentido e causa das coisas. Se observarmos a partir do exemplo que eu citei, digamos que o cientista seria aquele que chega bem próximo da árvore e passa a observá-la com um microscópio para entender todo o seu funcionamento e seus fenômenos, já o filósofo seria aquele que fica se perguntando o que tem debaixo da terra, e certo dia, em nome de sua paixão pelo conhecimento ele resolve pegar uma pá e cavar o chão que está ao redor da árvore, e é aí que ele descobre a raiz, ou seja, o conhecimento essencial do objeto a ser investigado. Quanto a pessoa que vê sua crença cega no observável desmoronada pela minha pergunta: fica com uma expressão pensativa, sobre os resultados de seu pensamento eu não me informo, mas fico feliz em saber que à provoquei à buscar um conhecimento mais sólido.

O filósofo tem a missão de chamar as pessoas para fora da caverna, mas não deve obrigá-las a fazer isso.

Não me lembro onde li, mas certa vez ouvi uma frase que expressa bem o que quero dizer "O professor de filosofia deve abrir cabeças, não fazê-las, e existe uma longa distância entre abrir cabeças e fazer cabeças", em suma, se adotarmos como exemplo o mito da caverna de Platão veremos que o filósofo é aquele que saiu da caverna e viu a luz das coisas, e ele volta para a caverna para chamar as pessoas para conhecer o mundo lá fora, porém ele deve provocá-las a sair da caverna, não obrigá-las, ele deve incentivar o parto das ideias (e é exatamente da maiêutica de Sócrates que eu estou falando)

Vejamos alguns exemplos:

  • O filósofo que sai da caverna e resolve não voltar para a caverna para chamar os outros é o filósofo isolado da sociedade, aquele que não divulga suas ideias, é aquele filósofo que fica trancafiado no seu quarto lendo um monte de livros sem se importar com a aplicabilidade das suas teorias, este filósofo é aquele que é tomado pelo pensamento preguiçoso "pra quê chamar aqueles sujeitos pra vir aqui fora? Eles vão achar que eu sou louco e nem vão me dar ouvidos!”;

  • O filósofo que obriga os outros a sair da caverna à força é o dogmatista, aquele que cria as ideologias e às impõem, é aquele que vai la dentro e faz os outros saírem da caverna à força, sem levar em conta a autonomia dos indivíduos e suas capacidades críticas;

  • O filósofo verdadeiro é aquele que entra na caverna, e com jeito, fala às pessoas que lá estão trancafiadas: "Nossa! essas algemas não estão doendo? Não quer que eu as tire? Você sabe o que é uma cor? Donde vem a luz? Que tal tentarmos descobrir a origem dela?”.

Filosofia, a ciência do tudo e do nada

Se eu pudesse definir qual é o objeto de estudo da filosofia, seria o tudo e o nada. O nada porque a filosofia estuda as ideias, portanto ela nunca estudará algo palpável e/ou observável pelos globos oculares ou pelas lentes de um microscópio ou telescópio. E do tudo porque ela pode estudar qualquer coisa, ela pode estudar o homem e o mundo, a verdade e a mentira, a amor e o ódio, a paz e a guerra, aquilo que existe e aquilo que não existe também, o tudo e o nada, das coisas mais simples às mais complexas. Em suma, tudo e mais um pouco.

Eu costumo dizer que enquanto as outras ciências se delimitam a buscar por respostas, a filosofia se mostra superior ao buscar por perguntas.

Eu não quero com tal afirmação fazer apologia ao ceticismo ou ao niilismo, ou afirmar uma certar idolatria da pergunta.

Eu só estou querendo dizer que eu acredito na anamnésis descrita por Sócrates, e eu acredito em ideias inatas e acredito que existe um conhecimento verdadeiro, e esse conhecimento verdadeiro é como se fosse um tesouro, e a pergunta bem elaborada é como se fosse um mapa para chegar à esse tesouro, e o aventureiro que está em busca desse tesouro é o filósofo, e o seu sentimento de aventura que o move para ir em busca do tesouro é a filosofia, ou seja, de que adianta existir um conhecimento verdadeiro? Você nunca chegará até ele se não fizer a pergunta certa.

Em suma, Filosofia seria o sentimento de amor perante o conhecimento verdadeiro, e esse sentimento surge também como ciência, que formula as questões para chegar ao conhecimento do tudo e do nada.

domingo, 1 de agosto de 2010

Sobre o blog

No presente texto pretendo revelar os motivos e causas que me levaram a criar este blog, o que é este blog e quais assuntos que serão aqui tratados, e quais objetivos pretendo alcançar com ele.

Diante da realidade eu me mostro como um ser singular e com uma visão crítica da sociedade, pois eu diante de tantas injustiças e mistérios acabei por não me satisfazer com os conceitos deterministas que me eram dados sobre o mundo, e junto à isto unem-se meu espírito curioso e crítico, afinal, sempre estou em busca do saber, logo eu cheguei à uma conclusão bastante louvável, de que adianta eu possuir uma visão crítica da sociedade e uma porção de opiniões autônomas se eu não às exponho, portanto me cansei de guardar as minhas opiniões só para mim e a partir de agora vou expô-las para que os meus conhecimentos e minhas ideias possam ser compartilhados com todos aqueles que se mostrarem interessados.

Eu sou um acadêmico de Filosofia, e de certa forma um filósofo, se levarmos em conta de que o filósofo é aquele que ama o conhecimento e o busca de forma crítica e com um compromisso com o pensamento lógico, claro, coerente e sistematizado. E de certa forma segundo as palavras de Gramsci "Todos os homens são filósofos", logo a imagem do filósofo intelectual e totalmente isolado da sociedade em um quarto escuro e cheio de livros não condiz, geralmente, com a realidade, o filósofo seria aquele que ama o saber, mas não basta só amar,  deve-se buscá-lo com clareza e lógica, e não adianta só buscá-lo, se eu só buscasse o conhecimento me tornaria um ser inútil para a sociedade, eu devo, portanto, buscar o conhecimento e divulgá-lo, para que assim a sociedade vá aumentando o seu conhecimento e se desenvolvendo, e só assim um filósofo contribui para a sociedade, divulgando as suas ideias e modificando pensamentos, mas não de forma ideológica e sim de forma crítica, em suma, pretendo a partir deste blog discutir filosofia, ética, política, conhecimento, arte, cultura, religião e tudo que for concernente e útil para a sociedade em geral, eu darei início ao assunto, irei expor minhas opiniões mas todos os meus leitores deverão saber que aqui não estou tentando persuadir ninguém à seguir minhas opiniões de forma ideológica, de certa forma, eu pretendo abrir a cabeça das pessoas para um mundo crítico e real, e assim cumprir com a minha missão como filósofo.

O objetivo deste blog é o de espalhar e de certa forma popularizar a cultura filosófica para que a sociedade vá adquirindo um teor mais crítico perante os conceitos que nos são impostos, e espero que o meu blog se torne o incentivo de muitos para começar a perceber a realidade como ela é, e não como querem que nós pensemos que ela seja.

E por último gostaria de lembrar que eu não estou aqui só para divulgar meu conhecimento, quero aumentá-lo, e isso só é possível com o diálogo, portanto se você possui alguma dúvida, comentário e/ou sugestão, ou de certa forma quer refutar algumas de minhas ideias e opiniões, por favor se comunique comigo através dos comentários, mas não se esqueçam, eu não vou permitir insultos, palavras de baixo calão, preconceitos e acusações sem fundamento em meu blog, saibam todos que para que a discussão se torne proveitosa todos podemos discordar da opinião do próximo e expôr as nossas ideias, mas devemos fazer isso com níveis aceitáveis de respeito e educação.

Enfim, por enquanto é só isso.
Obrigado pela atenção e boa leitura.