quinta-feira, 26 de outubro de 2017

coraçãobarranco

minha sombra se deita
comprida
sobre o chão
curto
é o espaço
limpo
pra pisar
cachorros
sujos
vem farejar
a minha calça
rasgada
na esperança
de achar
carinho
o vizinho
me estende
mão inteiras
pedindo por
moedas
compaixão
em meio ao barro
bêbados
me barram
berram
vulgares
palavras
incompreensíveis
demais
pros meus
ouvidos
cansados
de ouvir sempre
a mesma canção
a chuva
que vem pra mover
o lixo
do
pro
fundo
do
meu
coraçãobarranco

Bruno Orsatto Lanferdini
Curitiba - 06.05.2017

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