quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre números e seres humanos

Apesar dos números apresentarem dados que favoreçam a ideia de que o estado capitalista é mais desenvolvido, percebe-se que os números, apesar de exatos, são delimitados quando buscam compreender a realidade, isso ocorre porque os números só conseguem analisar a realidade concreta, sendo estes incapazes de compreender a realidade humana, que por característica própria é cheia de abstratismos, estes só perceptíveis através da análise da Filosofia e/ou das Ciências Humanas e Sociais.

Apesar dos números revelarem dados reais sobre determinada situação, eles são adquiridos a grosso modo e seus resultados são muito relativos, por exemplo, suponhamos que um determinado país capitalista possua um PIB gigantesco devido a uma indústria bem desenvolvida e uma economia bem estruturada, suponhamos também que este possua uma população relativamente pequena e um alto nível de desigualdade social e má distribuição de renda. Naturalmente que o fato de possuir grandes valores monetários e poucos valores populacionais contribuirá para uma alta considerável nos índices de renda per capita e IDH, ao mesmo passo que isso não significará que tal situação esteja realmente em concordância com a realidade prática.

E este fenômeno é bastante presente na sociedade capitalista contemporânea, que por possuir uma concepção positivista em relação à realidade acaba por supervalorizar os números em detrimento da realidade prática, e essa supervalorização dos dados numéricos mascara a verdadeira realidade do capitalismo, que é naturalmente exploratória e desigual. E quem se aproveita disso são os países capitalistas desenvolvidos, que através dos números passam a imagem ilusória de sucesso econômico e social.

Mas ainda é preferível uma nação “pobre”, porém justa do que uma que se vangloria de seus ganhos e lucros, mas que não passa de uma grande máquina de exploração que favorece uma pequena minoria. E por mais que os números possam medir os avanços eles não podem compreender a injustiça da exploração do trabalho através da mais-valia, eles não podem revelar como é injusto e desumano um sistema que tem como principal característica a exploração de uma classe social, que se rebaixa a um nível subumano e é explorada em prol da concentração de renda em uma classe social que, através da manipulação, se reafirma cada vez mais como dominante e exploratória.

3 comentários:

  1. Este artigo nasceu de uma avaliação para a disciplina de Sociologia do meu curso de Filosofia. O professor pediu que nós comparássemos dados de PIB, IDH e renda per capita de um país socialista, um país capitalista e o Brasil (que por azar é capitalista), e logo após fizéssemos um texto sobre os dados.
    Eu escolhi como país socialista a China e como capitalista os Estados Unidos. Quando comparei os dados vi que os Estados Unidos era muito superior em números, mas ao mesmo tempo eu sei das injustiças do sistema capitalista.
    E quando eu fui escrever o texto resolvi expor toda a minha indignação diante desta ilusão provocada pelos números e estatísticas, que só quantificam o homem, sem mostrar a verdadeira realidade humana. Pensei que o professor iria criticar meu texto, mas isto não ocorreu, do contrário, fui elogiado, e apesar de ter entregado o trabalho com uma semana de atraso, tirei um dez e parabéns.
    Em suma, números são ótimos para medir matéria e outras coisas exatas, mas estes jamais devem ser usados para medir humanos, pois a complexidade humana é tão titânica que os números não conseguem compreender, e sempre que números forem usados para explicar situações humanas, estes não terão completa razão, pois não se pode entender o homem, apenas compreender

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  2. É isso aí, Bruno! Concordo com você. Os números nunca devem ser usados para medir os sentimentos humanos.
    Parabéns pelo blog e muito obrigado por me seguir!

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  3. Prof. Adinalzir

    Primeiramente, saiba que sinto-me honrado em saber que homem de tamanho nível intelectual como ti visitou meu humilde blog e agora o segue e inclusive me envia parabéns, com isto sinto em meu peito um sentimento que mistura satisfação e orgulho.

    E também digo que parabéns eu é que devo dar-te por ter um blog tão bom, que ganhou o prêmio blog de ouro e está ente os top 100 na categoria de cultura. É uma honra tê-lo como seguidor. E por favor, não agradeça por ter me como teu seguidor, é o mínimo que eu posso fazer por um blog de história tão bom e tão crítico e fascinante.

    Att.
    Bruno Orsatto Lanferdini

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