Se fizermos uma comparação entre a História da Filosofia e do pensamento ocidental e a música Metamorfose Ambulante, veremos que estes dois compartilham de um grande número de semelhanças. Mas se analisarmos a música de uma maneira mais crítica veremos que ela não retrata fielmente o teor da Filosofia, como dito por outros até então. Do contrário, ela descreve e faz apologia ao relativismo, que é hoje em dia um grande problema daqueles que estão começando a entrar no mundo da Filosofia.
Se analisarmos os seguintes trechos da música veremos que acusar ela de apologia ao relativismo é algo lógico e fundamentado em argumentos sólidos:
“Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”
Neste trecho fica bem claro a intenção do autor, que afirma que prefere o relativismo ao dogmatismo.
“Eu quero dizer
Agora o oposto do que eu disse antes”
Revela a sua vontade de se autocontradizer constantemente, e obter assim, eternamente, um posicionamento pouco firme perante as coisas e as ideias.
“Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou”
Afirma não possuir domínio sobre o seu próprio ser, mudando constantemente de essência, uma hora é “estrela”, noutra “já se apagou”.
“Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor”
E ele não só muda de essência como muda de sentimento em relação às coisas, uma hora odeia, noutra ama.
“Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator”
Pode possuir várias opiniões simultâneas, apesar de contraditórias, sobre uma mesma coisa, e ainda assim fingir ser outra coisa e ter outra opinião, ou seja, um ator.
“É chato chegar
A um objetivo num instante”
Nega ao conhecimento “pronto”, característico do dogmatismo e do senso comum.
“Eu vou desdizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes”
E por incrível que pareça, no fim da música ele ainda afirma que vai desdizer aquilo tudo que disse antes, ou seja, a própria música é uma “metamorfose ambulante”, e apesar de todas as informações que já foram dadas segue se modificando eterna e constantemente.
Outro fato para o qual devemos ficar atentos é o próprio nome da música "Metamorfose Ambulante". Metamorfose é algo que constantemente muda de forma ou de estrutura e ambulante é algo que perambula sem se fixar em lugar algum, Metamorfose é diferente da evolução, que muda de forma para alcançar uma estrutura melhor e mais bem desenvolvida, e ambulante é diferente de viajante, porque viajante é aquele que mude de lugar para alcançar um outro lugar, no caso, o seu respectivo destino. Ou seja, se a música quisesse mesmo caracterizar a Filosofia o nome provavelmente seria “Desenvolvimento constante” ou “Busca incessante” e por aí vai. Mas a música simplesmente prefere mudar de forma e de lugar sem se preocupar com melhorias, em suma, uma visível apologia ao relativismo.
Se compararmos a música com a História da Filosofia, veremos que as duas se encaixam no sentido que a Filosofia também mudou, ao longo dos seus vinte e sete séculos de história, de estrutura (Já lutou contra os mitos, Já serviu à Igreja e já foi profana) e de lugar (já esteve na Grécia, na Itália, na França, na Inglaterra e na Alemanha, e hoje está por toda a parte), portanto até aí a comparação é justa.
Mas se compararmos a música à Filosofia de hoje, veremos que ela trata do problema do relativismo, que hoje é um problema que afeta um grande número de pessoas que estão começando na Filosofia. E tratar a Filosofia como algo relativo é negar toda a veracidade das suas afirmações. Se todos começarmos a achar que a Filosofia não tem um método sistematizado de pesquisa, que não busca um conhecimento verdadeiro e real, se acharmos que ela varia banalmente de pessoa para pessoa e de época para época e de lugar para lugar, e se começarmos a crer que cada realidade tem a sua verdade, daí nós estaremos afirmando que todo o trabalho que os Filósofos tiveram até agora para tentar compreender a realidade não passa de uma dada quantia de afirmações fundamentadas em achismos, e então nós estaremos tomando um posicionamento de total preguiça, desleixo, e desinteresse perante o conhecimento verdadeiro e uno. E quando a crença no conhecimento verdadeiro morre , morrerá junto o interesse em buscá-lo, e no fim das contas só sobrará um dogma, o do relativismo.
Impresionante o que esconde-se atrás de uma música,e eu até tinha essa música em um dos meus albuns num site relacionamento.Mas depois de ler o post mudei para como está escrito ai "Desenvolvimento constante".Muito bom, Bruno este era um tema do qual desconhecia,não conhecia o relativismo.Exelente retrar isto,pois sair cantarolando quaisquer múscias por ai é fácil,mas entender a verdadeira intenção da letras da música já nem tento, e fica de lição justamente isto, prestarmos atenção nas letras para podermos compreender-las.
ResponderExcluirPS:Como leitora de seu blog,vou deixar uma sugestão.Lendo sobre o relativismo fez-me lembra do positivismo,por conta deste "ismo" no final da palavra.Gosto muito do positivismo por ser um tema polêmico pois, todo positivista é ateu.Logo, sugiro que você retrate o positivismo nos próximos post's.
Abraço
IKII FABI
Cara IKII FABI
ResponderExcluirO positivismo é um ótimo tema, mas por enquanto ele não entrou no meu planejamento de temas.
Mas prometo a ti que futuramente eu farei um longuíssimo artigo sobre ele, mas quando isso ocorrer eu o farei lendo as obras de Auguste Comte e traçando o perfil psicológico deste autor e historiográfico da época.
Mas eu posso te expor um pouco sobre o que eu acho sobre o positivismo:
Foi uma escola filosófica que vigorou no cenário do século XIX, sua constituição coincide com um período de muitos avanços científicos e tecnológicos. Logo deu ênfase em analisar e estudar o homem e o mundo de maneira cientifica (positivismo vêm de positivo, ou seja, tudo que possa ser medido e observado cientificamente) e com essa supervalorização das ciências positivas (ciências naturais e exatas em geral), as ciências tidas como negativas (como teologia e metafísica) passaram a ser menosprezadas.
Na minha opinião o positivismo é uma escola que observa a realidade de maneira reducionista e dogmatista, que acha que tudo pode ser visto sob a ótica de lunetas, microscópios e outras parafernálias cientificas.
Hoje, sabe-se que o ser humano tem várias facetas: ele é um ser biológico, físico, social, emocional, artístico, religioso-espiritual, filosófico, empírico e acima de tudo complexo.
Admitir o ser humano, bem como a sociedade de uma maneira cientifica, é reduzí-la a menos do que ela realmente é, é ser míope perante a vida.
Em suma, o positivismo é uma escola filosófica "fraca" em minha opinião. E geralmente os positivista são ateus em virtude de sua visão que supervaloriza o cientifico e menospreza o metafísico e o místico.
E vá se acostumando IKII, durante sua trajetória no mundo da Filosofia você ainda ouvirá um bilhão de termos com sufixo de ismo, mas não se esqueça que você não deve os decorar, você deve compreendê-los.
Abraço
Até a próxima
tu sabe o q essa musica signifa para senso comun
ResponderExcluirreligião
filosofia
ciencia
me ajude valeu...
muito bom seu blog.Me ajudou bastante!
ResponderExcluirEsse espaço e maravilhoso e eu concordo com tudo a parte q eu mais gosto e quando ele diz q do q ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
ResponderExcluirGostei Bruno inclusive da informação a respeito do que estuda a filosofia. Mas gostaria de citar um pequeno trecho de um livro que simples existe:"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Tudo de bom e que a verdade seja o teu caminho.
ResponderExcluirLI, reli e ainda estou lendo..... rsrsr
ResponderExcluirAcredito que sou uma metamorfose ambulante, seria tudo positivismo dentro do relativismo sabendo que o relativo muda de ser ou não ser?
Aprenda tudo, esqueça tudo e viva! (se não ficar doido antes heheheh)
Gostei deste espaço!
gostei bastante, o professor louro passou uma tarefa sobre esta música e sua relação com a filosofia. Vim aqui ver se achava respostas, achei só a um, ainda falta duas..... Mas gostei muito desse site, irei vir diariamente. kiss kiss bye bye.................
ResponderExcluirPARABÉNS pela excelente análise!!! APLAUSOS!
ResponderExcluirRaul fala na música sobre uma condição da nossa existência,a mudança.do ser humano inconstante,contraditório...quem ja nw amou e depois odiou e voltou a amar se é ou não filosofia,eu não posso afirmar,mas a canção me remete a pensar sobre minha condição de ser humano...me parece filosofia...
ResponderExcluirEm se tratando de metamorfose, entendo que a música trata das mudanças que ocorrem no dia a dia de cada pessoa, das transformações que cada ideia pensamento ou mesmo conhecimento, possa influenciar na sua maneira de ser, pensar e agir.
ResponderExcluirFazendo um link com a filosofia. Quando escuto essa música, me remete muito ao pensamento de Heráclito (filósofo pré-socrático). O qual afirmava que tudo muda, nada permanece estático no mundo. Quando você entra em um rio, depois de um tempo, retorna a entrar nele, já não será mais o mesmo, não serão as mesmas águas. E isso se aplica ao mundo das ideias, opiniões, tudo muda.
ResponderExcluirGosto muito dessa música!