quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Organização do entendimento humano

INTRODUÇÃO

Ultimamente venho assistindo com certo pesar os conflitos entre os meios que o ser humano usa para entender o mundo e a si mesmo. Os mais conhecidos são os embates entre a Ciência e a Religião, e a Filosofia e a Ciência. E foi esse pesar que eu usei como motivo para iniciar um processo de reflexão filosófica acerca do tema. Inicialmente muitas perguntas me assolaram: “Quem está certo?”, “Alguém está certo?”. E assim a minha reflexão filosófica se iniciara, e após muito pensar eu percebi que esses conflitos são simplesmente patéticos, e os representantes das ideias que defendem um ou outro lado deveriam se envergonhar e reconhecer que estão perdendo tempo com discussões que não chegam a lugar algum.

E o que me levou a crer que tais discussões seriam patéticas, foi o fato de ter percebido, após longos momentos de reflexão, que as áreas da Religião, da Ciência, da Filosofia e da Arte, são totalmente incompatíveis e desconexas, logo é impossível um debate sério entre Fé e Racionalidade, por exemplo, pois são áreas totalmente diferentes. Tal discussão poderia ser comparada a dois homens discutindo, o primeiro homem exclama “O fogo é quente!” e o segundo homem refuta “Não, a água é que é úmida”, e assim permanecem sem nunca chegar a uma conclusão plausível.

O exemplo mais concreto de minha argumentação pode ser a discussão sobre a criação do homem. A Ciência defende a teoria evolucionista, segundo a qual teria sido o homem uma evolução de antigas espécies, já a Igreja Católica defende a teoria criacionista, segundo a qual o homem teria sido criado por um deus, só que nós devemos entender que esses “tipos” de criação diferem quanto ao objetivo. A teoria evolucionista, proposta pela Ciência, busca explicar como o homem surgiu, mas de maneira material e física, já a teoria Criacionista busca fundamentar sobre como o homem teria surgido como um ser moral, cultural e religioso.

Pois quando se lê o livro do Gênesis deve-se ter em mente que os antigos ancestrais hebraicos e os autores da Bíblia Sagrada não tinham sequer a mínima intenção de explicar como teria surgido o homem de maneira física, biológica e científica. Eles buscavam elaborar e narrar sobre como teria surgido o homem, mas de uma maneira a formar uma base para a criação de valores morais, culturais, espirituais e religiosos. Não devemos nos esquecer que os elementos bíblicos não passam de um monte de figurações simbólicas representativas que servem para repassar certo valor moral, por exemplo, o fato de Deus ter descansado no sétimo dia da Criação é uma maneira de dizer que “Não importa o que você esteja fazendo, todo ser humano merece um momento de descanso” e de certa forma procura representar a atitude neutra de Deus perante a humanidade, dando assim ao homem, a oportunidade de poder escolher seu destino, algo do tipo “Agora estou descansando, faça o que achar melhor”.

O exemplo recém citado é só uma das mil interpretações que a Bíblia Sagrada possui, assim como qualquer livro de qualquer religião. Já quando se lê o livro “A Evolução das Espécies” de Charles Darwin, devemos ter em mente que ele não pretendia dar explicações sobre os valores morais do homem, ele só queria saber como que um ser gerou outro e assim por diante, de modo a poder ter mais entendimento sobre os fenômenos da natureza.

O outro embate famoso que citei foi o da Ciência com a Filosofia. Sendo que ultimamente a Ciência anda evoluindo a passos largos, várias vezes nos vemos questionando a utilidade da Filosofia. Mas devemos nos lembrar então que a Ciência busca explicar a realidade e conhecer os constantes fenômenos que ocorrem na natureza, já a Filosofia busca compreender a realidade e conhecer a causa e a finalidade das coisas. Por exemplo, um cientista pode explicar como surgiu o Universo (Big Bang é a teoria mais aceita na atualidade), mas se perguntarmos a este mesmo cientista “Porque existe o Universo?” ou “Qual a essência do Universo?”, daí provavelmente ele titubeará sem palavras, e te dará o nome de um bom livro de Filosofia para ler.

E foram essas diferenças que me levaram a organizar o entendimento humano em “áreas de entendimento”, para que então o ser humano pudesse saber até onde vai certo método de entendimento, e para que só assim essas áreas pudessem parar de entrar em conflito e começassem a cooperar entre si para aumentar o entendimento que a humanidade tem sobre o mundo e sobre si mesma.

AS ÁREAS DO ENTENDIMENTO HUMANO

A primeira área eu defino como a “ÁREA EXPLICÁVEL”. Esta é a área que o ser humano pode tocar, ver, analisar, estudar, descrever com palavras e medir através de fórmulas que lhe dão números perfeitos e estatísticas exatas, o ser humano busca entender essa área através de sua mente e de sua racionalidade. Esta área estuda o mundo em que o homem vive de maneira física, e busca obter conhecimento sobre os constantes fenômenos que ocorrem no mundo, para que então o homem possa usar esse conhecimento no intuito de tornar a sua vida mais confortável. Esta área também pode ser chamada de área científica, pois é a Ciência a responsável por tal área.

A segunda área eu chamo de “ÁREA COMPREENSÍVEL”. Esta é a área que o homem usa para conhecer a causa, as conseqüências, o significado, a essência e a finalidade das coisas. Esta área não compartilha da mesma exatidão da primeira área, pois ela não trata de coisas observáveis e palpáveis, e talvez por causa disso ela não compartilhe do prestígio da primeira. Esta área busca pelo conhecimento em absolutamente tudo, e é esta área que está sendo usada agora para que seja elaborado esse estudo que você está lendo neste momento. E é somente esta área que pode conhecer as outras sem se tornar intrusiva.Esta área também pode ser chamada de área filosófica, polis é a Filosofia a responsável por tal área.

A terceira área pode ser citada como “ÁREA SENSÍVEL”. Esta é a área pela qual o ser humano expressa seus sentimentos. Esta área é uma maneira do ser humano identificar-se a si mesmo e o mundo que o cerca, mas através dos sentimentos, das emoções e das percepções sensoriais. Esta área pode se expressar por meio de várias maneiras, e muitas vezes ao se estudar as criações desta área você pode perceber o sentimento e as ideias que um artista ou uma sociedade tinham no momento de suas respectivas criações, como você já percebeu, esta área também pode ser chamada de área artística, porque é a Arte que se faz responsável por desbravar esta área do entendimento.

A última área pode ser nomeada de “ÁREA IMPREVISÍVEL”, esta é a área pela qual o ser humano busca entender aquilo que não pode ser previsto nem analisado. Devemos ter em mente que no percorrer da vida humana surgem várias perguntas, que vão sendo respondidas, porém há certas perguntas que permanecem para sempre sem respostas definitivas, e estas perguntas não são só simples perguntas, elas são mistérios universais, como por exemplo “O que acontece depois da morte” (como ninguém pode voltar à vida, logo é impossível responder essa pergunta) ou “Um dia a Terra vai acabar? Se vai, quando?” (como ninguém pode prever o futuro esta pergunta também fica sem respostas). Só que devemos observar algo que é instigante, o ser humano possui uma sede incrível de conhecimento, logo ele não poderia deixar tais perguntas sem respostas, seria um insulto à sua inteligência. Então como ele não pode prever, ele especula possíveis acontecimentos, e esses acontecimentos são narrados pela religião, que surge como um fator cultural de um certo povo. E é por esses fatores que esta área também pode ser chamada de área religiosa.

CONCLUSÃO

Numa análise mais minuciosa, veremos que cada área busca entender a realidade através de um método distinto, são estes respectivamente: a explicação, a compreensão, a percepção e a especulação. E cada uma dessas áreas exige uma certa qualidade do ser humano, a área explicativa exige estudo do físico, a área compreensiva exige pensamento e reflexão, a área sensível exige sentimentos e experiências e a área imprevisível exige fé. E podemos dividir estas áreas da seguinte maneira, as que fazem uso da racionalidade (explicativa e compreensiva) e as que fazem uso dos sentimentos, das experiências e das percepções sensoriais (sensível e imprevisível).

Ao fim desse estudo somos levados a concluir que diante de um mundo tão diversificado e com tantos métodos para seu entendimento, é impossível assumir uma visão reducionista da realidade, admitindo só um meio como o único possível para se achar as verdades existentes no Universo. É como se cada conhecimento verdadeiro sobre a realidade estivesse escondido em um lugar diferente, portanto, nada mais aceitável do que ter de tomar caminhos diferentes para poder alcançá-los. Em suma, observa-se que o ser humano, o mundo, a vida e a realidade possuem várias facetas, que se tecem eternamente num conjunto complexo, onde cada partícula faz parte de um todo maior ao qual está ligado, e que para se ter conhecimento sobre todo esse conjunto complexo é necessário que as áreas do entendimento humano passem a entender os seus respectivos fins, objetivos e utilidades, para que só então elas possam cooperar entre si simultaneamente, e assim façam com que a cada dia o ser humano passe a obter mais conhecimento sobre si e sobre aquilo que o cerca.

Um comentário:

  1. uaal ninguém comentou este AINDA..HAHAHAHHA'
    ebaaa... vou ser a primeira \ooo)
    comentário: uma tese pode se dizer assim inteiramente sua,uma produção independente.LEGAL!,concordo com você(só pra variar um pouco), deveriamos nos ocupar com o que denovo REALMENTE IMPORTA, que agora no caso, é o fato de perdermos tempo com discussões que não levam a lugar nenhum. O impasse que existe entre ciência e religião é enorme e sempre vai existir pessoas que acreditam tanto em um quanto em outro, e o impasse perdura desda idade média até os dias de hoje e vai continuar existindo pois, ainda não resucitamos para contar como é do "outro lado", se bem que nos dias que estamos hoje não acredito que leve muito para criarem um método de não morrermos mais, e mexer totalmente com a essência humana,Mas ai é outra história. E mais uma vez a filosofia encontra-se no meio da discussão , que é a parte que questiona isso tudo. Outra coisa isto fez-me lembra das teorias do conhecimento, essa sua descrição de como da-se os diferentes conhecimentos.Ora lembrando de Aristóteles,ora de Platão..

    por fim, será que ambas as partes nunca irão perceber o mal que causam para a sociedade?, degradando e distorcendo informações que só fazem com que seja desviado cada vez mais da realidade e da essência das coisas.

    Abraço,

    IKII FABI

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