segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Filósofo deve ajudar a ver a luz

O conhecimento filosófico se diferencia dos outros tipos de conhecimento pela profundidade que ele alcança.

Com a modernidade o pensamento positivo foi se tornando cada vez mais habitual e a famosa expressão "comprovado cientificamente" foi ganhando cada vez mais credibilidade, isso resultou naquela famosa expressão muito conhecida dos céticos "eu só acredito no que os meus olhos podem ver", ou seja, tanto a mentalidade positivista quanto a cultura capitalista que visa o observável, o palpável e o lucrativo foram gerando nas pessoas uma mentalidade do querer o rápido e o visível, do "já ou agora". Mas tal pensamento é muito frágil, por exemplo, sempre que alguém me diz tal frase, eu faço uma pergunta desconcertante "Então você não acredita na existência de raízes de árvores?", e é claro que a pessoa fica extremamente surpreendida com a minha pergunta, mas mesmo assim eu prossigo, "Porque é óbvio que quando você olha para uma árvore você não vê a sua raiz, mas é justamente esta que lhe dá sustentação e lhe fornece nutrientes para que ela viva", ou seja, a ciência busca conhecer o observável, e a filosofia o real sentido e causa das coisas. Se observarmos a partir do exemplo que eu citei, digamos que o cientista seria aquele que chega bem próximo da árvore e passa a observá-la com um microscópio para entender todo o seu funcionamento e seus fenômenos, já o filósofo seria aquele que fica se perguntando o que tem debaixo da terra, e certo dia, em nome de sua paixão pelo conhecimento ele resolve pegar uma pá e cavar o chão que está ao redor da árvore, e é aí que ele descobre a raiz, ou seja, o conhecimento essencial do objeto a ser investigado. Quanto a pessoa que vê sua crença cega no observável desmoronada pela minha pergunta: fica com uma expressão pensativa, sobre os resultados de seu pensamento eu não me informo, mas fico feliz em saber que à provoquei à buscar um conhecimento mais sólido.

O filósofo tem a missão de chamar as pessoas para fora da caverna, mas não deve obrigá-las a fazer isso.

Não me lembro onde li, mas certa vez ouvi uma frase que expressa bem o que quero dizer "O professor de filosofia deve abrir cabeças, não fazê-las, e existe uma longa distância entre abrir cabeças e fazer cabeças", em suma, se adotarmos como exemplo o mito da caverna de Platão veremos que o filósofo é aquele que saiu da caverna e viu a luz das coisas, e ele volta para a caverna para chamar as pessoas para conhecer o mundo lá fora, porém ele deve provocá-las a sair da caverna, não obrigá-las, ele deve incentivar o parto das ideias (e é exatamente da maiêutica de Sócrates que eu estou falando)

Vejamos alguns exemplos:

  • O filósofo que sai da caverna e resolve não voltar para a caverna para chamar os outros é o filósofo isolado da sociedade, aquele que não divulga suas ideias, é aquele filósofo que fica trancafiado no seu quarto lendo um monte de livros sem se importar com a aplicabilidade das suas teorias, este filósofo é aquele que é tomado pelo pensamento preguiçoso "pra quê chamar aqueles sujeitos pra vir aqui fora? Eles vão achar que eu sou louco e nem vão me dar ouvidos!”;

  • O filósofo que obriga os outros a sair da caverna à força é o dogmatista, aquele que cria as ideologias e às impõem, é aquele que vai la dentro e faz os outros saírem da caverna à força, sem levar em conta a autonomia dos indivíduos e suas capacidades críticas;

  • O filósofo verdadeiro é aquele que entra na caverna, e com jeito, fala às pessoas que lá estão trancafiadas: "Nossa! essas algemas não estão doendo? Não quer que eu as tire? Você sabe o que é uma cor? Donde vem a luz? Que tal tentarmos descobrir a origem dela?”.

6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. BRUNO BRUNO, estou sem palavras.. ou devo dizer estou com muitas palavras que devem ser ditas?hahahaha'.Brincadeiras a parte, devo confesar fascinante é para mim o mito da alegoria da caverna - Platão, eu consigo fazer ele encaixar-se em qualquer situação e ainda no começo, quando revolvi trilhar o caminho da Sofhia, foi exatamente o como aconteceu com o individuo do mito. Mas, ai entra aquela outra questão dita por Platão: as virtudes.Temos que ser virtuosos aponto de mudar o mundo e não nos deixar corromper por quem não aceita a mudança e ainda mudar e não obrigar a MUDANÇA e sim DEIXAR AS PESSOAS VEREM A MUDANÇA, COMO ELA É BOA E IMPORTANTE E MUDAREM POR SI PROPRIAS,POIS AFINAL,não pode-se mudar quem não O DESEJA. E digo que isso é uma das coisas que mais me fascina,mais toma minha atenção,ser tão virtuoso a ponto de fazer as pessoas mudarem mas sem OBRIGA-LAS A TAL ATO. AAAH..OS FILÓSOFOS SÃO UNS DOS SERES MAIS VIRTUOSOS QUE EXISTE e infelizmente estão em falta.E como você sitou essa frase e não se recorda da onde(alias,muito boa). Eu me recordei de uma parte de um livro,um capitulo na verdade. Filosofia em pequenas lições-Dominique Janicaud (cap.2- cuidado com guro!-Dominique diz que: se um professor de filosofia querer impor as coisas desconfie, porque ele deve estimular você a procurar respostas não dar-te as respostas).E ainda nesse tema tem uma frase que eu uso bastante, por gostar muito:"Mude a si mesmo antes de mudar o mundo se não, acaba não mudando coisa alguma" Georg Bernard Shaw
    ou ainnnnnda... nessa questão para que melhor do que o Discurso do Método - René Descartes.

    Abraço,
    IKII FABI

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  3. René Descartes foi realmente vigoroso "Dubito, ergo cogito, ergo sum", um obviedade tão lógica que nós chegamos à nos perguntar "Como eu não pensei nisso antes?!"

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  4. Realmente, você para em momentos da leitura e pensa, não acredito, que óbvio.
    Penso, logo, existo.Uma frase célebre, recordo-me de outro fato, que um professor meu estava falando."Para existir precisamos pensar,mas para pensarmos NÃO precisamos EXISTIR".Algo que fez-me pensar um pouco(só para variar um pouco as coisas).hahahahahha'

    Abraço,
    IKII

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  5. Exatamente, essa frase praticamente fundou o racionalismo no pensamento moderno.

    E ela nos dá mais uma utilidade da Filosofia, se é necessário pensar para existir, portanto é só através da Filosofia que nós nos firmamos como seres existentes e atuantes perante a nossa realidade e a construção de nossas essências.

    Pois como diria Jean-Paul Sartre, é só nos seres humanos que "A existência precede a essência", portanto se nós conhecemos a realidade e a nossa existência, logo podemos moldar a nossa essência de forma que a vontade de nossas almas possa ser realizada.

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  6. No item, POSTAR COMENTÁRIO, no final do blog a palavra certa é BAIXO CALÃO e não BAIXO ESCALÃO, pense nisso! Um grande abraço.

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