domingo, 17 de setembro de 2017

Ser ou não ser – Taí a questão (Third Test Edition)

Ser ou não ser – t a questão (Third Test Edition) 

Tradução de Bruno Orsatto Lanferdini  
Do monólogo “To be or not to be – that is the question 
Presente na primeira cena do terceiro ato 
Da peça “Hamlet” de William Shakespeare 
Do verso 056 ao 090  


056 Ser ou não ser – t a questão. 
       Será que é mais nobre sofrer na mente 
       As pedras e flechas do destino furioso 
       Ou pegar armas contra um mar de problemas 
060 E se opondo acabar com eles?... Morrer... Dormir... 
       Nada mais. E com o sono dizer que a gente acaba 
       Coa dor no coração e os mil choques naturais 
       Da carne sofrer. Isso é uma consumação 
       Pra se desejar com devoção... Morrer... Dormir... 
065 Dormir... Talvez sonhar. É, essé o ruim. 
       Nesse sono da morte os sonhos que vão vir, 
       Quando a gente tiver caído fora dessa roda mortal, 
       Devem nos dar pausa. Esse é o respeito 
       Que faz calamidade de vida tão longa. 
070 Por que alguém aguentaria o chicote e os escarros do tempo, 
       O erro do opressor, o insulto do homem orgulhoso, 
       As pontadas do amor desprezado, a lentidão da lei, 
       A insolência do governo e os esporros 
       Que o mérito paciente toma dos sem valor, 
075 Quando esse mesmo alguém pode se fazer quieto 
       Com qualquer faquinha? Quem aguentaria esses fardos 
       Gemendo e suando debaixo duma vida miserável 
       Se não fosse o medo de alguma coisa depois da morte... 
       O país desconhecido que do interior 
080 Nenhum viajante retorna... Que quebra cabeça da vontade 
       E nos faz preferir aguentar esses males que nós temos 
       Do que voar para outros que nós não conhecemos? 
       Assim a consciência faz sim todos nós de covardes. 
       E assim a cor nativa da intenção 
085 Adoece e fica coa cara pálida do pensamento. 
       E empreitadas de grandes picos e momentos, 
       Com esse receio, mudam suas correntezas de direção 
       E perdem o nome de ação  Agora te aquieta! 
       A bela Ofélia. – Fada, nas tuas orações 
090 Sejam todos meus pecados lembrados. 


Bruno Orsatto Lanferdini 
Curitiba 
17 de setembro de 2017

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