domingo, 17 de setembro de 2017

porcupine

porcupine 

todo chão só pedra cinza, trilho de ferro se estende em duas direção, pra lá e pra cá, não se vê fim, barulho seco arrastado agudo estridente metálico arranhado do véio carrinho que passa se arrastando pelos trilho sofrendo empurrado por um véio que se esforça e tosse e leva carrinho até a ponta, o abismo profundo, e joga lixo do carrinho no abismo e volta empurrando carrinho até a outra ponta, cidade, grande, distante e indiferente... fria, um monte de casa bidimensional que se estende dos dois lado do trilho, parece infinitas, parece tudo mentira, os óio dos otro brilha um brilho feroz que perfura treva da janela quoculta eles, em silêncio o véio passa empurrando carrinho em meio as casa fechada que parece escurecê mais ainda a escuridão, no céu nenhuma estrela, só fumaça, pega lixo deixado no fim dos trilho e tossindo e sofrendo e se esforçando coloca lixo no carrinho que empurra pelos trilho e joga no abismo e volta pra cidade e pega lixo deixado no fim dos trilho e tossindo e sofrendo e se esforçando coloca lixo no carrinho que empurra pelos trilho e joga no abismo e volta pra cidade e pega lixo e coloca lixo no carrinho que empurra até pará porque vê no meio dos trilho bebê menino nego chorando que diz - eu me perdí, o véio diz - eu te levo comigo, o menino - agradeço, o véio - eu te ensino, carregando o menino empurra o véio o carrinho pelos trilho e chega no abismo e diz - jogá lixo no abismo, e joga lixo no abismo e tossindo empurra carrinho pelos trilho e chega na cidade e diz - pegá lixo na cidade, mas não tem lixo no fim dos trilho, não tem nada, o véio pergunta - onde que tá o lixo? ootro sai de trás das casa e rodeia o véio cuns óio brilhando um brilho feroz e diz vai  que pegá lixo em otro lugar - mas nunca foi assim - mas hoje será assim e talvez seja melhor que você não questione - venha conosco, nós o acompanhamos - deixe o menino - me espere, eu volto, os otro leva ele por trás das casa que são só fachada apoiada no chão por pedaço de madeira, eles leva ele por aí até chegá no fim onde escuro é tudo e muié nua, sem genital nem pelo no corpo, toda feita de oro, diz com voz metálica e solene - pare e veja, ela aponta pro lado onde se vê gato sem pele, sua pele foi arrancada e está estendida com prego na parede, o gato magricelo é só osso e carne e sangue, os óio nunca se fecha, ele tenta caminhá tremendo e sangrando no meio dum mar de agulha brilhante, ele anda e cai e se corta e se levanta e anda e cai de novo sem pará, os óio escancarado quase saltando numa expressão de susto infinito, a boca aberta num eterno miado de dor que nunca sai – mas o que é isso? grita véio sofrendo a tortura de sentí nas tripa toda a fúria da dor e desespero absoluto - mas o que é isso? muié diz mais a sua voz ecoa gigante pelo espaço - isso é você, o véio desesperado, esticado no chão, mão impotente e fraca estendida pro gato a otra segurando com força o peito que ameaça explodí, grita grito que sai em forma de sussurro roco rasgado - como eu me salvo? - você entra nesse espelho e acompanha o véio e aprende seu trabalho, o véio se arrasta até o espelho e passa pro otro lado e vira bebê menino nego chorando e escuta barulho seco arrastado agudo estridente metálico arranhado do véio carrinho que passa se arrastando pelos trilho sofrendo empurrado por um véio que se esforça e tosse e leva carrinho e ra, o menino chorando diz - eu me perdí, o véio diz - eu te levo comigo, o menino - agradeço, o véio - eu te ensino, carregando o menino empurra o véio o carrinho pelos trilho e diz - jogá lixo no abismo, e joga lixo no abismo e tossindo empurra carrinho pelos trilho e chega na cidade e diz - pegá lixo na cidade, mas não tem lixo no fim dos trilho, não tem nada, o véio pergunta - onde que tá o lixo? os otro sai de trás das casa e rodeia o véio e diz cuns óio brilhando um brilho feroz - vai  que pegá lixo em otro lugar - mas nunca foi assim - mas hoje será assim e talvez seja melhor que você não questione - venha conosco, nós o acompanhamos - deixe o menino - me espere, eu volto, os otro leva ele por trás das casa e os otro vai pra cima do bebê com língua enorme e roxa que dança pra fora da boca babando uma baba grossa e gosmenta, o bebê assustado sai correndo pelos trilho e chega no fim e cai no abismo profundo e vira um gato cinza pulando pra lá e pra cá nas pedra cinza e é atingido por flecha de bronze e capturado por muié nua, sem genital nem pelo no corpo, toda feita de oro, que com dedo arranca a sua pele e estende ela com prego na parede e solta ele num mar de agulha brilhante, ele tenta caminhá tremendo e sangrando e anda e cai e se corta e se levanta e anda e cai e se corta e se levanta e anda e cai e se corta e se levanta e se corta e anda se corta e anda e se corta e anda sem pará, até pingá todo o sangue e seco perdê tudo os nervo e as carne que vira tudo em fiapo e só sobrá os osso que vai se raspando um no otro até se desmontá e se desmanchá tudo até virá lixo só e pedra cinza espalhada pelo chão todo 

Bruno Orsatto Lanferdini 
Curitiba 01 de maio de 2017 

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