quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Como todas as ocasiões apontam contra mim (First Test Edition)

Como todas as ocasiões apontam contra mim (First Test Edition) 

Tradução de Bruno Orsatto Lanferdini  
Do monólogo “How all occasions do inform against me 
Presente na quarta cena do quarto ato 
Da peça “Hamlet” de William Shakespeare 
Do verso 032 ao 066 


032 Como todas as ocasiões apontam contra mim 
       E me empurram para a minha lenta vingança! O que é um homem, 
       Se o seu maior bem e o melhor uso do seu tempo 
035 É só dormir e comer? Um animal, nada mais! 
       Com certeza aquele que nos fez com uma mente tão grande 
       Que pensa o antes e o depois, não nos deu 
       Essa capacidade e razão divina 
       Pra mofar em nós sem uso. Agora, que seja 
040 Esquecimento animal, ou algum escrúpulo medroso 
       De pensar com precisão excessiva no futuro – 
       Um pensamento que, dividido em quatro, uma parte é sabedoria 
       E três são covardia – Eu não sei 
       Por que eu ainda vivo pra dizer 'Tenho que fazer isso', 
045 Se eu tenho causa, e vontade, e força e meio 
       Pra fazer isso. Exemplos grandes como a terra me chamam: 
       Testemunho esse exército, de tamanha massa e comando, 
       Liderado por um príncipe delicado e atencioso, 
       Cujo espírito, inflado por ambição divina, 
050 Faz caras e bocas para o futuro invisível, 
       Expondo o que é mortal e incerto 
       Contra toda sorte, morte, perigo e risco 
       Só por uma casca-de-ovo. De certo ser grande 
       Não é se mover só por uma grande causa, 
055 Mas grandemente arranjar encrenca por uma palha, 
       Quando a honra está em jogo. Como que eu fico, então, 
       Que tenho um pai morto, uma mãe corrompida, 
       Motivações pra minha razão e pro meu sangue, 
       E deixo tudo quieto, enquanto pra minha vergonha eu vejo 
060 A morte eminente de vinte mil homens 
       Que, por uma fantasia e uma ilusão de glória, 
       Vão pro caixão como se fossem pro colchão, lutar por um pedaço de chão 
       Onde não cabem os números que vão lutar pela causa, 
       Que não tem terra suficiente pra fazer covas 
065 Pra esconder os derrotados? O, de agora em diante, 
066 Meus pensamentos serão sangrentos ou não valerão nada! 


Bruno Orsatto Lanferdini 
Curitiba 
14 de novembro de 2017

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não é permitido comentários com palavras de baixo calão, insultos e preconceitos e o comentário deve conter clareza, coerência e racionalidade.