O, se essa carne tão tão suja derretesse (First Test Edition)
Tradução de Bruno Orsatto Lanferdini
Do monólogo “O, that this too too solid flesh would melt”
Presente na segunda cena do primeiro ato
Da peça “Hamlet” de William Shakespeare
Do verso 129 ao 159
129 O, se essa carne tão tão suja derretesse
130 Evaporasse e se transformasse em névoa!
Ou se o Todo-Poderoso não tivesse feito
Um mandamento contra quem se mata! O Deus! Deus!
Quão gastos, podres, chatos e inúteis
Me parecem todos os usos desse mundo
135 Nojo disso! A, nojo! Isso é um jardim arrasado
Infestado pelo mato, totalmente possesso pelas coisas podres
E nojentas da natureza. Tinha que ter chegado a isso!
Mas morto a dois meses! Não, nem tanto, nem dois.
Um rei tão excelente que está para esse
140 Como Hipérion está para um sátiro. Tão amoroso com a minha mãe,
Que ele não permitia que nem os ventos do céu
Tocassem o rosto dela com força. Céu e terra!
Eu tenho que lembrar? Que, ela se agarrava nele
Como se o apetite dela fosse crescendo e crescendo
145 Conforme ela fosse comendo. E ainda assim, dentro de um mês
Não me deixe pensar nisso. Fragilidade, teu nome é mulher!
Um mezinho! Antes mesmo que ficassem velhos os sapatos
Que ela usou pra seguir o corpo do pobre do meu pai
Como Niobe, toda lágrimas – Por que ela, justo ela –
150 O Deus! Um animal sem discurso e razão
Teria lamentado mais tempo – Casada com o meu tio,
Irmão do meu pai, mas não tão parecido com o meu pai
Quanto eu com Hércules. Dentro de um mês
Antes mesmo do sal das lágrimas mais hipócritas
155 Terem deixado os seus olhos ásperos,
Ela casou. O, que velocidade safada, pular
Com tanta pressa pros lençóis incestuosos!
Isso não tá e nem pode terminar bem.
159 Que quebre, meu coração, mas eu tenho que segurar minha língua.
Bruno Orsatto Lanferdini
Curitiba
15 de setembro de 2017
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